O Orçamento do Estado para 2027 está mais perto de ser viabilizado. José Luís Carneiro anunciou que vai propor aos órgãos do PS a abstenção na votação do documento, uma decisão recebida de forma positiva pelo Governo e criticada pelo Chega.

O secretário-geral socialista justificou a posição com as garantias dadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, relativamente às condições colocadas pelo PS. "Optámos pela abstenção, porque o primeiro-ministro deu um sinal muito positivo ao responder a todas as questões que tínhamos colocado", afirmou José Luís Carneiro. A decisão ainda terá de ser aprovada pelos órgãos do partido.

Entre as matérias levantadas pelos socialistas estão a revisão constitucional, a proteção das pensões, o financiamento de investimentos afetados pelos atrasos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e a recuperação das regiões atingidas pelas tempestades. Caso a abstenção seja confirmada, o OE2027 fica com a viabilização assegurada, independentemente da posição das restantes bancadas.

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, considerou a posição socialista "muito positiva para o País", por entender que permite garantir estabilidade política. Luís Montenegro também destacou o "sinal importante" dado pelo PS e elogiou o "sentido de responsabilidade" dos socialistas.

Já André Ventura criticou a decisão e afirmou que não ficou surpreendido. O líder do Chega considerou que PS e PSD "estão a governar em conjunto" e manifestou estranheza pelo facto de os socialistas anunciarem a intenção de voto antes de conhecerem a versão final da proposta orçamental.

A proposta do OE2027 terá de ser entregue no Parlamento até 12 de outubro. O debate na generalidade está marcado para 27 e 28 de outubro e a votação final global está prevista para 24 de novembro.