Um mural dedicado às mulheres alentejanas, com destaque para Catarina Eufémia, está a gerar polémica em Beja. A vereação do PS na Câmara Municipal considera que a obra representa uma "opção ideológica demasiado forte e desadequada". O mural foi criado no âmbito da iniciativa 'Beja na Rua' e encontra-se no centro da cidade.

A posição foi assumida pelo vereador socialista Paulo Arsénio, que afirmou não pretender apagar a importância histórica de Catarina Eufémia, mas questionou a escolha da figura para representar as mulheres alentejanas na atualidade: "Não nos parece que tenha sido, de facto, o mural mais adequado para ser colocado em Beja."

Paulo Arsénio considerou ainda que a realidade atual é diferente daquela vivida em 1954, quando Catarina Eufémia, então com 26 anos, foi morta a tiro por um tenente da GNR durante uma greve de trabalhadores rurais em Baleizão. A ceifeira comunista tornou-se posteriormente um símbolo da resistência ao Estado Novo.

O vereador socialista deixou, por fim, uma crítica à possibilidade de surgirem outras homenagens de cariz semelhante. "O que nós esperamos é que, nos próximos anos (...), a fachada da biblioteca não venha a ter Karl Marx ou que a fachada da Câmara não venha a ter Lenine aqui devidamente desenhados." Arsénio sublinhou, contudo, que também se coloca numa linha de combate às ideias de extrema-direita e ao fascismo.