O Presidente da República, António José Seguro, está a receber esta quinta-feira, dia 29,no Palácio de Belém, os dez partidos com assento parlamentar, em audiências individuais dedicadas à coesão social, tema em que o chefe de Estado incluiu a habitação. As reuniões começaram às 8h30 e prolongam-se até às 13h30, pela seguinte ordem: JPP, PAN, CDS-PP, BE, PCP, Livre, IL, PS, Chega e PSD.

As audiências acontecem no dia seguinte ao debate e votação na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2027, mas o Orçamento não está na agenda. O foco de Belém são as desigualdades socioeconómicas e a crise da habitação, num momento em que continuam as manifestações pelo direito à habitação.

É a primeira vez que Seguro convoca todos os partidos para um tema concreto. A ronda foi marcada na quarta-feira da semana passada, dois dias depois de o Presidente ter apelado a um entendimento entre o Governo PSD/CDS-PP e a oposição para a adoção de medidas urgentes e duradouras na habitação.

Esta semana, Seguro quebrou o silêncio sobre a atuação policial durante os protestos da madrugada de domingo, 25 de outubro, depois de ter sido criticado pela demora,  inclusivé  por personalidades que apoiaram a sua candidatura e que lhe enviaram uma carta a pedir uma intervenção. Na terça-feira, dia 27,  aos jornalistas, deixou o aviso: “A coesão social não é um slogan”. O Presidente revelou também ter abordado a situação com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na reunião de segunda-feira, dia 26.

Antes de ouvir os partidos, Seguro recebeu ontem em Belém especialistas e representantes de inquilinos, proprietários e construtores. Segundo fontes presentes citadas pela Renascença, o Presidente falou pouco e quis sobretudo ouvir.

Na habitação, o chefe de Estado tem destacado a situação dos jovens, que descreveu como “uma geração bloqueada”, defendendo que é urgente garantir arrendamento ou compra de casa para todas as bolsas.

A sequência de iniciativas termina na próxima segunda-feira, 2 de novembro, com uma reunião do Conselho de Estado sobre o mesmo tema. No PS, partido de origem de Seguro, há críticas à demora da intervenção presidencial e a preocupação de que o Conselho de Estado sirva para dar orientações aos partidos sobre a sua estratégia política.