Paulo Raimundo acusou o PS de estar a ajudar o Chega a manter a “máscara” de oposição ao Governo PSD/CDS, ao anunciar que pretende viabilizar, na generalidade, a proposta de Orçamento do Estado para 2027.
Em declarações à Lusa, depois de uma visita à Feira de Outubro, em Vila Franca de Xira, o líder comunista relacionou a posição socialista sobre o OE2027 com o acordo alcançado entre PSD e Chega para alterar, na especialidade, a proposta do Governo relativa ao novo regime do arrendamento urbano.
“Não fiquei surpreendido com o balanço final da passada quarta-feira”, afirmou Paulo Raimundo, lembrando que Governo e Chega aprovaram aquilo a que chamou a “lei de despejos e de aumento das rendas”, enquanto, no mesmo dia, o PS garantiu a viabilização do Orçamento.
Para o secretário-geral do PCP, os acontecimentos confirmam a leitura política que o partido tem feito: “Quando o PS falha, o Chega está lá para dar a mão; quando o Chega faz birra, o PS está lá para dar suporte” ao Governo.
Raimundo foi mais longe e considerou que, caso os socialistas recuassem na intenção de viabilizar o OE2027, o partido de André Ventura acabaria por encontrar uma forma de permitir a aprovação do documento. “Não tenho nenhuma dúvida de que o Chega ia dar as cambalhotas todas”, declarou.
O líder do PCP acusa assim o PS de libertar o Chega da responsabilidade de viabilizar o Orçamento, permitindo-lhe conservar, nas suas palavras, a “demagogia, a hipocrisia” e a “mentira”. Para Raimundo, o resultado é o PS contribuir para que “a máscara se mantenha na cara do Chega”, quando considera que o objetivo deveria ser precisamente “desmascarar o Chega”.

















