O Comité Central do PCP encerrou a sua reunião com um reforço da ofensiva política contra o Governo PSD/CDS e com duras críticas ao PS, que Paulo Raimundo acusou de estar a assegurar a sobrevivência de um executivo politicamente isolado.
Na apresentação das conclusões, o secretário-geral comunista sustentou que os socialistas optaram por dar "cobertura" ao Governo, permitindo-lhe prosseguir uma política que o PCP considera de ataque aos direitos dos trabalhadores e aos serviços públicos.
A derrota parlamentar da proposta de reforma laboral dominou parte da intervenção de Paulo Raimundo, que recusou atribuir ao PS qualquer protagonismo nesse desfecho. O líder comunista insistiu que o recuo do Governo resultou, antes de mais, da mobilização dos trabalhadores, da ação sindical e da pressão social acumulada ao longo de meses. "Esta vitória é dos trabalhadores. Uma grande vitória dos trabalhadores."
Perante perguntas sobre o papel dos socialistas, o líder do PCP afastou qualquer leitura que atribuísse ao PS o mérito da rejeição da reforma laboral. Na sua perspetiva, os socialistas mantiveram uma atitude de disponibilidade para viabilizar opções do Executivo e têm vindo a assumir uma posição de proximidade em relação ao Governo. Paulo Raimundo reiterou que o PS "está a dar a mão, o braço, a perna, o corpo e a cabeça toda" à política de direita e advertiu que essa opção o torna "cúmplice" de um rumo que considera contrário aos interesses dos trabalhadores.
O Comité Central aprovou ainda orientações para intensificar a intervenção política e social nos próximos meses, defendendo que a derrota da reforma laboral demonstra que "a luta compensa" e pode travar medidas do Governo, apontando esse resultado como um incentivo para novos combates em matérias como salários, serviços públicos, habitação e direitos laborais.

















