Paulo Raimundo, de 49 anos, defende que o PS deve viabilizar a proposta comunista para a criação de uma comissão de inquérito sobre a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos.

À margem de um almoço nos Estaleiros da Câmara Municipal da Amadora, esta terça-feira, dia 19, o secretário-geral do PCP argumentou que não há motivos para o PS rejeitar a iniciativa: "Depois daquela conversa toda do PS, depois daquela indignação do PS, depois de ter a iniciativa de chamar o ministro, não há nenhuma razão, não vejo nenhuma razão, para que o PS possa votar contra a nossa iniciativa.”

A proposta do PCP surge na sequência de notícias que indicam que os socialistas se preparam para votar contra iniciativas do PCP e do BE que defendem a criação de uma comissão de inquérito ao uso da Base das Lajes, nos Açores, por forças norte-americanas, no contexto do conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão.

Para Paulo Raimundo, o objetivo da iniciativa é aprofundar o escrutínio sobre a utilização de infraestruturas nacionais. "A nossa iniciativa quer aprofundar todo o grau de questões que se relacionam com o nosso território nacional, com o nosso espaço aéreo nacional", referiu, acrescentando que está em causa o enquadramento da utilização da base no plano internacional.

O dirigente do PCP defendeu ainda, em declarações à Lusa, que a soberania nacional deve ser salvaguardada. "Portugal não é um apêndice dos Estados Unidos", recordou, sublinhando que "é preciso que o nosso território e o espaço aéreo estejam salvaguardados".

Paulo Raimundo alertou também para o impacto político de um eventual voto contra do PS, considerando-o um "erro político", e defendeu que o tema exige mais do que audições parlamentares. "O PS tem de ser coerente", disse, acrescentando que ficaria surpreendido se os socialistas "se alinhassem com o PSD e com o CDS para inviabilizar a comissão de inquérito".

O líder comunista criticou as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmando que o governante "meteu-se numa grande embrulhada" e que essa situação acabou por ter repercussões mais amplas.

A polémica em torno da Base das Lajes intensificou-se após declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que elogiou a utilização da infraestrutura por parte dos Estados Unidos. Em reação, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português esclareceu que a autorização foi concedida apenas após o pedido formal e sob condições previamente definidas.

O parlamento deverá apreciar os requerimentos do PCP e do BE, na próxima reunião da comissão de Negócios Estrangeiros, prevista para terça-feira, dia 26.