As operações russas da Nestlé e da Auchan passaram a estar sob administração temporária por decisão de Moscovo. O decreto foi assinado por Vladimir Putin, de 73 anos, e atribui a gestão dos negócios a uma empresa do país, embora a propriedade legal dos ativos permaneça, para já, nas mãos dos atuais acionistas.
A medida foi divulgada esta sexta-feira, dia 18, pelo Financial Times, e afeta duas multinacionais europeias que continuam a ter uma presença relevante no mercado russo, apesar das mudanças provocadas pela invasão da Ucrânia.
No caso da Auchan, a dimensão da atividade no país é particularmente significativa: a cadeia francesa mantém cerca de 230 lojas e emprega mais de 24 mil pessoas. Já a Nestlé conta com aproximadamente 7 mil trabalhadores e seis unidades industriais em território russo.
As duas empresas tiveram, contudo, percursos diferentes desde o início da guerra. Enquanto a Auchan manteve uma rede comercial de grande dimensão, a Nestlé reduziu de forma considerável a sua atividade e concentrou-se sobretudo na comercialização de produtos considerados essenciais.
Embora a decisão permita às autoridades russas assumir o controlo da gestão, não implica, nesta fase, uma transferência formal da propriedade dos ativos. Os acionistas continuam a ser, juridicamente, os proprietários, mas deixam de controlar diretamente as operações.
Este tipo de administração temporária faz parte de um mecanismo utilizado pela Rússia para intervir em ativos de empresas oriundas de países considerados “hostis”. A designação de “temporária” não impediu, noutros casos, alterações permanentes na posse dos negócios.
Entre os exemplos estão a francesa Danone e a dinamarquesa Carlsberg, cujas operações russas acabaram por ser transferidas para investidores locais.
A Nestlé já confirmou que está a analisar a decisão e a estudar as opções disponíveis para salvaguardar os seus interesses. A Auchan, por sua vez, solicitou esclarecimentos às autoridades russas sobre o alcance do decreto.
A decisão de Moscovo abrange ainda outros ativos. Entre eles encontram-se estruturas relacionadas com a área da logística e a antiga operação russa da Leroy Merlin, atualmente denominada Lemana Pro. Neste último caso, a atividade já tinha sido transferida para uma estrutura local na sequência da saída da gestão francesa.
A exposição financeira das duas multinacionais ao mercado russo é, no entanto, bastante diferente. A Rússia representa cerca de 1% das vendas mundiais da Nestlé, segundo estimativas citadas pela Euronews. No caso da Auchan, a presença operacional no país continua a ser muito mais expressiva, devido à dimensão da rede comercial e ao número de trabalhadores.
















