O governo francês desistiu de avançar com um sistema nacional obrigatório de depósito e reembolso para garrafas de plástico, semelhante ao modelo Volta adotado em Portugal. A decisão foi tomada agora, após três meses de negociações e forte contestação das autarquias, que alertaram para os custos da medida.

O projeto previa que o consumidor pagasse um pequeno depósito adicional na compra de uma bebida, recuperando posteriormente esse valor quando entregasse a embalagem vazia num ponto de recolha. O objetivo era aumentar as taxas de recolha e reciclagem, seguindo modelos já utilizados noutros países europeus.

A proposta, porém, encontrou resistência entre os municípios franceses. Muitas autarquias investiram nos últimos anos milhões de euros na modernização dos sistemas públicos de triagem e dos ecopontos e receavam perder receitas provenientes da recolha das embalagens de plástico mais valorizadas.

Associações de municípios, entre as quais a Amorce, levantaram ainda outra questão: a chamada 'monetização do lixo'. Segundo os críticos, recompensar financeiramente a devolução das embalagens poderia desvalorizar o caráter cívico e voluntário da separação doméstica de resíduos.

Perante a contestação, Paris abandonou a imposição de um modelo único para todo o território. Cada região poderá agora desenvolver sistemas próprios de recolha e reciclagem, adequados às características locais.

O recuo não altera, contudo, os objetivos ambientais franceses. O governo mantém a meta de atingir 55% de reciclagem de plástico até 2030. Atualmente existem fortes diferenças territoriais, com cerca de 230 estruturas intermunicipais a alcançarem já taxas de recolha de 77%.