A arara-azul-grande e o boto-tucuxi passaram a integrar a lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. A atualização, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em 2026, é baseada numa avaliação que analisou cerca de 15 mil espécies.

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Brasil passou a reconhecer oficialmente 1.279 espécies como ameaçadas, além de nove classificadas como extintas e uma considerada extinta na natureza. Entre as espécies ameaçadas estão 241 aves e 102 mamíferos.

A arara-azul-grande foi classificada como vulnerável. A espécie, que tem algumas das suas maiores populações no Pantanal, sofreu impactos significativos com os incêndios que atingiram o bioma nos últimos anos. O desmatamento e a perda de habitat também estão entre as ameaças à sua conservação.

Boto-tucuxi também entra na lista

O boto-tucuxi, um dos mamíferos aquáticos mais conhecidos da Amazónia, também passou a fazer parte da lista atualizada. Outros animais aquáticos tiveram uma piora na classificação, como o boto-cinza, o boto-de-Lahille e o peixe-boi-marinho.

Entre as principais ameaças estão a expansão de infraestruturas, incluindo portos e obras marítimas, a captura acidental durante atividades de pesca e a poluição. As alterações climáticas também aumentam a vulnerabilidade dos ecossistemas aquáticos.

De forma geral, o novo levantamento aponta o desmatamento como uma das principais pressões sobre a fauna brasileira. Grandes empreendimentos, poluição, caça ilegal, tráfico de animais e atropelamentos também contribuem para o risco de desaparecimento de espécies.

Algumas espécies apresentam recuperação

A atualização também traz exemplos positivos. O soldadinho-do-araripe, o sauim-de-coleira e a baleia-franca-austral tiveram redução no grau de ameaça.

O sauim-de-coleira, encontrado na região de Manaus, passou de criticamente ameaçado para em perigo de extinção. Entre as medidas adotadas para proteger a espécie estão a criação de corredores ecológicos e ações de fiscalização.

Já a baleia-franca-austral passou da categoria em perigo para vulnerável, após décadas de recuperação. Apesar da evolução, especialistas alertam que a espécie ainda necessita de medidas de proteção.

A nova lista reforça a dimensão dos desafios para a conservação da biodiversidade brasileira, mas também mostra que políticas de proteção, fiscalização e envolvimento das comunidades podem contribuir para recuperar populações ameaçadas.