Militantes socialistas contestam a eleição de José Luís Carneiro, como secretário-geral do partido, no congresso de Viseu. À frente dos contestatários, está Ricardo Gonçalves, antigo deputado por Braga e ex-líder da distrital. Reclamou sem êxito para a Comissão Nacional de Jurisdição. Prepara-se, agora, para recorrer para o Tribunal Constitucional.
Ricardo Gonçalves é conhecido por dizer o que pensa. Ainda José Sócrates era primeiro-ministro e já ele lhe perguntava donde lhe vinha o dinheiro. O ‘animal feroz’ respondia-lhe rosnando e, pelo menos uma vez, estavam a ver que lhe dava com uma cadeira. Há anos que Ricardo se bate no partido contra as listas únicas. Não tem feito outra coisa senão organizar grupos de debate que não alinham com o pensamento único.
Fiel aos seus princípios, este ‘segurista’ convicto que o histórico António Campos, leal companheiro de Mário Soares, recrutou para funcionário do partido, tentou evitar que no último congresso do PS, nos finais de março, José Luís Carneiro ficasse a falar sozinho.
Conseguiu reunir tropa suficiente, nos bastidores do congresso, para encabeçar uma lista alternativa à Comissão Nacional do partido. A lista, ‘Por um PS Forte’, foi apresentada dentro do prazo, mas o presidente da Mesa do Congresso, Carlos César, recusou admiti-la por ter apenas sete nomes subscritores. Ricardo Gonçalves informou-o de um problema técnico: a fotocopiadora parou na hora errada e ficaram por imprimir as outras 244 assinaturas necessárias. César colocou o assunto à consideração do plenário – que por maioria decidiu não aceitar a lista. Ricardo Gonçalves e apoiantes recorre para a Comissão de Jurisdição Nacional – o tribunal do partido. A reclamação foi apreciada pela nova composição da comissão saída do congresso cuja eleição os reclamantes contestam. O resultado foi o esperado: fez bem o congresso em não admitir a lista. Mas o destemido Ricardo não desarma. Segundo fontes que lhe são próximas, prepara-se para recorrer para o Tribunal Constitucional. Até porque encontrou “ilegalidades” na lista única de José Luís Carneiro aos órgãos nacionais do partido.















