A operação ‘Águas Turvas’, desencadeada pela Polícia Judiciária na região do Grande Porto, expôs um alegado esquema de corrupção e favorecimento na empresa municipal Águas de Gaia, culminando na detenção de 13 pessoas ligadas à estrutura da empresa e ao setor privado. Entre os nomes destacam-se Eunice Fonseca, diretora do Departamento de Águas Residuais da Águas de Gaia, e António dos Santos Mota, um pequeno empreiteiro do ramo das instalações elétricas, apontado pela investigação como uma das peças centrais do alegado esquema.
Além daqueles dois nomes, foi igualmente detido um antigo diretor da empresa municipal, cuja identidade continua por confirmar oficialmente, bem comocinco funcionários da Águas de Gaia, cinco empresários ligados ao fornecimento de materiaise ainda um ex-funcionário da empresa que, entretanto, hoje é empresário.
Segundo os elementos conhecidos do processo, a investigação da PJ — que decorria há cerca de 17 meses e implicou aproximadamente 30 mandados de busca — centra-se num alegado esquema de corrupção ativa e passiva, abuso de poder e branqueamento de capitais, relacionado com procedimentos de contratação pública e adjudicações avaliadas em cerca de oito milhões de euros.
O nome de António dos Santos Mota surge particularmente destacado nos autos e nos relatos já divulgados. Este empresário em nome individual, que tem escritório na zona das Antas, é suspeito de ter alimentado uma rede de influência junto de responsáveis das Águas de Gaia, através de um conjunto de benefícios e contrapartidas destinados a garantir favorecimento em contratos públicos. Entre 2024 e 2025, terá realizado levantamentos em numerário, alegadamente usados como luvas, além de suportar almoços e jantares avaliados em algumas dezenas de milhares de euros, incluindo despesas significativas num restaurante de Matosinhos. Terá, ainda segundo a investigação, ainda oferecidoe promovido viagens a Marrocos e Itália, pago consultas médicas, adquirido bens pessoais e executado obras particulares, incluindo intervenções na habitação de Eunice Fonseca e na casa dos sogros de um funcionário da empresa.
A PJ acredita estar perante um mecanismo estruturado de favorecimento entre decisores públicos e interesses privados, cujas consequências judiciais começam agora a emergir.
















