O fundador do Telegram, Pavel Durov, de 41 anos, foi colocado esta quarta-feira, dia 29, na lista internacional de procurados da Rússia. O Serviço Federal de Segurança russo (FSB) acusa o empresário de ter facilitado atividades terroristas através da plataforma de mensagens.
Segundo o organismo, o processo está relacionado com a alegada recusa da administração do Telegram em eliminar canais, conversas e robôs utilizados por serviços de informações ucranianos e por organizações classificadas por Moscovo como terroristas ou extremistas.
"A administração do Telegram não eliminou numerosos canais, conversas e robôs usados para preparar e coordenar atos de sabotagem e terrorismo, homicídios em massa e operações de fraude informática dentro da Federação Russa", alegou o FSB. As autoridades russas sustentam que estas ações provocaram vítimas e elevados prejuízos materiais.
O FSB afirmou ainda que agentes ucranianos recorriam a um serviço de encontros disponível no Telegram para abordarem cidadãos russos. As vítimas seriam posteriormente chantageadas e pressionadas a participar em agressões contra agentes policiais, incêndios e ataques a infraestruturas.
De acordo com as autoridades russas, 46 utilizadores do serviço, com idades entre os 12 e os 22 anos, foram detidos desde julho de 2025 por alegado envolvimento em ações de sabotagem e terrorismo. Estas informações foram divulgadas pelo FSB e não puderam ser verificadas de forma independente.
Durov, que possui nacionalidade francesa e dos Emirados Árabes Unidos, reside no Dubai, onde também está sediado o Telegram. A empresa não apresentou de imediato uma resposta formal às novas acusações, embora a conta oficial da plataforma na rede social X tenha publicado uma imagem do empresário a fazer um gesto obsceno.
O empresário já tinha revelado, no início do ano, que estava a ser investigado na Rússia por alegado auxílio ao terrorismo. Na altura, acusou Moscovo de procurar pretextos para limitar o acesso ao Telegram e de tentar restringir a liberdade de expressão e o direito à privacidade.
Fundado em 2013, o Telegram afirma contar com mais de mil milhões de utilizadores e é utilizado tanto na Rússia como na Ucrânia. Apesar das restrições impostas por Moscovo, vários organismos oficiais russos, incluindo o Kremlin e o Ministério da Defesa, continuam a recorrer diariamente à plataforma.
Durov enfrenta também um processo em França, relacionado com a alegada falta de combate a atividades criminosas praticadas através do Telegram e com uma suposta insuficiência na cooperação com as autoridades. O empresário rejeita qualquer irregularidade.

















