António José Seguro, de 64 anos, levou ao encontro com o Papa Leão XIV (71) as dificuldades sentidas por muitas famílias portuguesas perante a subida dos preços. O Presidente da República revelou, esta quinta-feira, dia 24, no Vaticano, que transmitiu ao chefe da Igreja Católica que no nosso país há pessoas para quem “o dinheiro não estica até ao final do mês”.
As declarações foram feitas após a audiência com Leão XIV, integrada na visita oficial do sucessor de Marcelo à Santa Sé, que incluiu também um encontro com o secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais, Paul Richard Gallagher.
“Tive oportunidade hoje de dizer ao Papa que em Portugal há muitas pessoas que não chegam, que o dinheiro não estica até ao final do mês”, relatou o chefe de Estado, relacionando as dificuldades económicas com a escalada do preço do petróleo e a consequente pressão sobre a inflação.
Seguro apontou diretamente para os conflitos internacionais, em particular a guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, e defendeu uma solução que permita “a livre circulação de todos os navios no Estreito de Ormuz”. Segundo o Presidente, a situação está a contribuir para manter o petróleo a preços muito elevados, com consequências no quotidiano das famílias: “As pessoas, com o mesmo dinheiro, não conseguem comprar tantos medicamentos.”
Questionado sobre se considera que Portugal está a fazer o suficiente para apoiar quem enfrenta dificuldades financeiras, Seguro evitou avaliar a atuação interna: “Vamos ter oportunidade de falar sobre esse tema, mas não aqui, nem hoje.”
A paz esteve, de resto, no centro da audiência com Leão XIV. Seguro revelou que ambos defenderam “o cessar imediato das guerras”, posição que o Presidente português estendeu aos conflitos no Irão e na Ucrânia. Na véspera da audiência, já tinha destacado a importância da voz do Papa “na defesa da paz, da dignidade humana e na construção de novas pontes entre os povos”.
“Não se justificam absolutamente estas guerras”, continuou Seguro, defendendo que os líderes devem sentar-se à mesa, dialogar e encontrar soluções: “Não há nenhum problema que a mente humana não consiga avaliar e que a boa vontade não consiga resolver.”

















