O Presidente da República, António José Seguro, quebrou esta terça-feira, dia 27, o silêncio sobre os incidentes registados na madrugada de domingo, em Lisboa e no Porto, durante os protestos pelo direito à habitação. O chefe de Estado mostrou-se preocupado com as imagens da intervenção policial, mas defendeu que é necessário aguardar pelas conclusões dos inquéritos antes de avaliar a atuação das autoridades.
"Não gostei do que vi. Não são imagens normais para uma democracia consolidada", afirmou Seguro aos jornalistas, sublinhando que a liberdade de manifestação e o cumprimento da lei não são incompatíveis: "Temos de cumprir a lei, e isso aplica-se às autoridades e a todos os cidadãos, e isso inclui o Presidente da República."
Seguro garantiu que acompanha a situação desde as 07:00 de domingo, exigindo informações às entidades competentes. Revelou ainda que abordou o assunto na reunião de segunda-feira com o primeiro-ministro, Luís Montenegro. "A cultura portuguesa é de diálogo, não é uma cultura de confronto ou de violência", declarou, reiterando que a resolução dos problemas sociais deve passar pelo entendimento e nunca pela violência.
O Presidente voltou a exigir respostas concretas para a crise habitacional, apelando ao Governo e aos partidos para encontrarem soluções duradouras, sobretudo para os jovens. "É inaceitável que a média de idade a que os jovens saem de casa seja os 30 anos", lamentou, alertando para uma "geração bloqueada" pelos preços elevados da compra e do arrendamento: "Ter casa não é apenas ter um teto onde se possa dormir, é um projeto de vida, de autonomia."
Seguro anunciou que vai reunir esta quarta-feira, 28 de outubro, com especialistas em habitação, tendo também convocado os partidos para quinta-feira e o Conselho de Estado.
Questionado sobre a intervenção policial, recusou antecipar conclusões: "O Presidente da República deve exigir todas as explicações, mas tem de aguardar pelos resultados. Ninguém julga antes de saber os factos."
O chefe de Estado insistiu que os inquéritos em curso deverão esclarecer se existiram violações do Estado de direito, reafirmando a defesa da legalidade e do direito à manifestação.

















