Rex Heuermann, de 62 anos, foi condenado esta quarta-feira, dia 17, a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. A sentença foi proferida dois meses depois de o serial killer se ter declarado culpado pelos homicídios de oito mulheres, cujos restos mortais foram encontrados ao longo da costa sul de Long Island, perto de Nova Iorque, nos EUA.
Durante a leitura da sentença, familiares das vítimas prestaram declarações emocionadas em tribunal, dirigindo-se em vários momentos ao arguido, que permaneceu maioritariamente impassível. “O dano que ele causou vai muito além do dia em que cometeu este crime”, afirmou Liliana Waterman, filha de uma das vítimas, que tinha apenas três anos quando a mãe, Megan Waterman, foi dada como desaparecida.
A tia da mesma vítima, Elizabeth Meserve, defendeu a necessidade de reforçar a proteção das vítimas e das suas famílias, descrevendo o arguido como alguém que “não era um predador temível, mas sim um oportunista covarde”.
Também em tribunal, Amanda Funderburg recordou a irmã, Melissa Barthelemy, descrevendo-a como “uma lutadora pelo amor, pela família, por uma vida melhor”, dirigindo-se diretamente a Heuermann: “Podes olhar para mim enquanto eu falo”. O arguido manteve contacto visual apenas de forma breve.
As primas de Jessica Taylor homenagearam a vítima, descrevendo-a como “pura luz” e “uma amiga espirituosa, inteligente e linda”, enquanto uma delas afirmou: “Causas-me tanta repulsa que é sufocante, mas não posso deixar venceres-me”.
Melissa Cann, irmã de Maureen Brainard-Barnes, afirmou que a vítima foi alvo de uma “maldade calculada e inimaginável”, referindo que vive há mais de uma década com “a dor insuportável” e com “a culpa de sobrevivente”, acrescentando que compreendeu finalmente que “a culpa não é minha, e nunca foi”.
O filho de Brainard-Barnes, Dyllan Haggett, que tinha apenas um ano quando a mãe foi assassinada, declarou: “Eu nunca a tive quando precisei. Ela nunca pôde ver em quem eu me tornei”.
Em comunicado lido em tribunal, Ruth Ramos, irmã de Sandra Costilla, sublinhou que, apesar da condenação, “a justiça não pode trazer as vítimas de volta, mas garante que não sejam esquecidas”.
Heuermann pediu a palavra no final da audiência: “Não há palavras que eu possa dizer. Sou responsável por tudo o que foi dito nesta sala hoje. As palavras que eu dissesse não teriam significado”.
O juiz Timothy Mazzei classificou o arguido como “um homem repugnante e insignificante, se é que pode ser chamado de homem”, acrescentando: “Tu és um covarde”.
Já o procurador do condado de Suffolk, Ray Tierney, descreveu Heuermann como um “assassino em série impiedoso e sádico que só se importa consigo mesmo”, referindo que existia documentação que alegadamente demonstrava o planeamento metódico dos crimes, desde a seleção das vítimas até à eliminação dos corpos.
Os crimes, recorde-se, ocorreram entre 1993 e 2010 e permaneceram durante anos envoltos em mistério, em grande parte devido ao facto de várias vítimas serem profissionais do sexo e de muitas só terem sido identificadas muito tempo depois da descoberta dos corpos, dispersos sobretudo em zonas pantanosas na região de Gilgo Beach.
O caso começou a ganhar novo impulso em 2022, quando as autoridades conseguiram ligar Heuermann a elementos decisivos, incluindo o veículo onde uma das mulheres assassinadas terá sido vista, registos telefónicos, dados digitais recolhidos na sua residência em Massapequa Park e análises de ADN mitocondrial, que o associaram às vítimas. Rex Heuermann acabou por ser detido no verão de 2023.

















