O senador Jaques Wagner, atual líder do governo Lula no Senado Federal, e o empresário Augusto Lima tornaram-se os principais alvos da nona fase da "Operação Compliance Zero", desencadeada esta quinta-feira pela Polícia Federal brasileira. A investigação, conduzida sob a égide do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, centra-se em suspeitas graves de crimes financeiros, corrupção ativa e passiva, bem como em esquemas de branqueamento de capitais que envolvem, diretamente, a estrutura do Banco Master.

A operação policial, que se estendeu por vários estados, incluindo a Bahia e São Paulo, visou não apenas os gabinetes e residências do parlamentar e do empresário, mas também o círculo familiar próximo do senador. As autoridades investigam agora o uso de familiares como intermediários para o recebimento de vantagens indevidas. O cerne da apuração policial reside numa alegada triangulação que envolve a aquisição de um imóvel de luxo avaliado em cerca de 2,5 milhões de reais e a expansão da "CredCesta", instituição controlada por Augusto Lima, cujos negócios terão beneficiado de facilidades concedidas pelo senador durante os seus mandatos anteriores enquanto governador da Bahia.

Augusto Lima, figura central do Banco Master, já tinha sido alvo de diligências na primeira fase desta mesma operação, tendo chegado a conhecer a detenção preventiva. Agora, volta a enfrentar restrições severas impostas pela Justiça, que incluem a proibição de contacto com outros investigados e a imposição de medidas cautelares rigorosas. Para o senador Jaques Wagner, este é um dos episódios mais críticos da sua trajetória política recente, colocando em xeque a articulação do governo no Congresso Nacional.

A equipa de investigadores da Polícia Federal continua a analisar um vasto volume de documentos, transações financeiras e comunicações apreendidas durante as buscas de hoje. A expectativa em Brasília é elevada, uma vez que o Supremo Tribunal Federal deverá decidir, ainda durante o dia de hoje, sobre a retirada do sigilo judicial que cobre a decisão do ministro André Mendonça. Este passo permitirá o acesso público aos detalhes da fundamentação que sustenta a suspeita de que o líder do governo tenha agido para promover os interesses privados de Augusto Lima em detrimento do erário público.

Imagens: Estadão/redes sociais