José Sócrates, de 68 anos, criticou esta quinta-feira, dia 14, o bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, acusando-o de se ter "comportado como um ativista político" ao assistir ao espetáculo ‘Sr. Engenheiro – Alegadamente um Musical’, inspirado na vida do antigo primeiro-ministro.
As declarações foram feitas à margem do arranque do julgamento da ação que Sócrates moveu contra o Estado português, em 2017, na qual reclama uma indemnização de, pelo menos, 50 mil euros devido à duração do processo Marquês.
"Queria agradecer a gentileza do senhor bastonário, mas não preciso da sua ajuda para arranjar advogado. Ele sabe bem disso, por isso ponhamos de lado a hipocrisia", afirmou o ex-governante socialista perante os jornalistas.
José Sócrates considerou ainda que João Massano não está verdadeiramente preocupado com o direito à defesa, mas sim em "satisfazer as orientações do Conselho Superior da Magistratura". O antigo chefe do Executivo apontou também uma alegada contradição na postura do bastonário.
"O senhor bastonário diz que está preocupado com a defesa [mas], no dia seguinte, vai a um espetáculo musical onde é vilipendiado aquele que, segundo ele, tem a sua defesa comprometida", afirmou. "Não foi a espetáculo nenhum, comportou-se como um ativista político e eu dispenso esse ativismo político, que não é bem-vindo à justiça", acrescentou.
Durante as declarações, Sócrates criticou ainda a atuação do tribunal relativamente à sua representação legal. De acordo com o antigo primeiro-ministro, o advogado que o representa terá pedido mais tempo para reorganizar a defesa, algo que, garante, foi recusado pela juíza do processo.
"O advogado que me vai representar já propôs à senhora juíza que desse 10 dias para pôr a vida em ordem, para assumir uma nova defesa, e nem isso a senhora juíza achou que devia dar", lamentou.
A ação judicial em causa foi apresentada em fevereiro de 2017 e centra-se na alegada violação dos prazos legais por parte do Ministério Público na condução do processo Marquês. Segundo a ação, o atraso terá comprometido o direito de José Sócrates a uma decisão judicial “num prazo razoável”.
O inquérito do Departamento Central de Investigação e Ação Penal foi aberto em 2013 e a acusação formal só seria conhecida em outubro de 2017. O julgamento principal arrancou em julho de 2025, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, envolvendo José Sócrates e mais 20 arguidos por crimes relacionados com corrupção e branqueamento de capitais.
Já em abril deste ano, o antigo primeiro-ministro acusara a Justiça portuguesa de marcar este julgamento administrativo “por medo da jurisdição europeia”, após ter avançado, em 2025, com uma ação contra o Estado português junto das instâncias europeias.
As críticas foram, entretanto, rejeitadas pelo Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais, que assegurou que o processo seguiu “uma sequência regular de atos”.

















