O principal campeonato português de râguebi vai mudar de nome e passar para a gestão dos clubes, numa reforma que pretende aumentar receitas, atrair público e tornar a modalidade mais competitiva. A profissionalização é uma ambição, mas ainda está longe de ser uma realidade.
A partir desta época, a principal competição nacional deixa de se chamar Divisão de Honra e passa a designar-se Super XV. A organização ficará a cargo da Associação Super XV – Rugby Portugal, na sequência de um protocolo assinado esta terça-feira, dia 11, com a Federação Portuguesa de Rugby (FPR), em Lisboa.
O acordo terá a duração de cinco anos e representa uma mudança na forma como o principal escalão do râguebi português é gerido. Durante este período, os clubes querem fortalecer a competição e criar condições para que a modalidade consiga gerar mais receitas.
Luís Lança de Morais , da Associação Super XV e do Direito, admite que o grande objetivo passa por chegar ao profissionalismo, mas reconhece que esse cenário ainda não é viável a curto prazo: “Há uma ambição, mas seria utópico começar com uma liga profissional fechada. Isso estaria condenado ao insucesso neste momento.”
A prioridade, para já, é tornar os clubes mais sólidos financeiramente. A associação pretende aumentar a capacidade de atrair patrocinadores, melhorar a visibilidade do campeonato e levar mais espectadores aos estádios. “Temos de ter argumentos para tornar a modalidade mais atrativa, para cativar patrocínios, ter maior visibilidade, trazer mais público aos estádios e tornar isto sustentável económica e financeiramente”, explicou Lança de Morais.
Outra das medidas previstas passa pela possibilidade de criar prémios monetários para os clubes melhor classificados, caso exista um excedente de receitas. A ideia é premiar o desempenho desportivo e incentivar uma maior competitividade entre as equipas.
Também o formato da competição vai sofrer alterações. Os 12 clubes vão disputar uma primeira fase em que todos se defrontam uma vez. No final, os oito primeiros avançam para uma segunda fase, divididos por dois grupos de quatro equipas.
Depois dessa fase, serão disputadas as meias-finais e a final, que volta a ser utilizada para decidir o campeão nacional, depois de duas épocas em que a competição não contou com uma fase de eliminação direta.
O presidente da FPR, Carlos Amado da Silva, considera que o novo sistema poderá ajudar a reduzir as diferenças atualmente existentes entre os clubes: “Temos consciência de que há uma diferença muito grande entre os 12 clubes."
O calendário também será condicionado devido à presença de jogadores nas seleções. Os clubes de topo podem perder seis ou sete atletas durante os períodos em que estes representam a seleção portuguesa ou os Lusitanos XV, equipa de franquia da FPR.
A associação pretende, por isso, garantir que essas ausências não desequilibram excessivamente a competição e que os clubes com menos recursos também têm oportunidades para surpreender.
Ao mesmo tempo, o campeonato começa a receber jogadores profissionais estrangeiros, numa tentativa de elevar a qualidade e a competitividade das equipas portuguesas.
O objetivo definido para os próximos cinco anos passa por deixar o râguebi português numa posição mais forte, com clubes capazes de gerar mais receitas e uma competição com maior visibilidade.
O campeonato nacional de râguebi é disputado desde 1959 sob a tutela da Federação Portuguesa de Rugby. A partir desta época, a organização do principal escalão passa para a Associação Super XV.
O Benfica é o atual campeão nacional, depois de conquistar a Divisão de Honra na época 2025/26 e colocar fim a um jejum de 25 anos sem vencer o principal título português.
Entre os clubes que vão disputar o novo Super XV estão também alguns dos históricos campeões nacionais: CDUL, com 20 títulos, Direito (12), Belenenses (10), Cascais (seis), Académica (quatro), Técnico (três) e Agronomia (dois).

















