Moçambique está a preparar o encaminhamento de cidadãos vítimas de xenofobia na África do Sul para oportunidades de emprego em Portugal e nos Emirados Árabes Unidos. O Presidente Daniel Chapo, de 49 anos, revelou que o governo já está a identificar as qualificações profissionais dos repatriados para facilitar a sua reintegração no mercado de trabalho.

A informação foi avançada pelo Presidente moçambicano, Daniel Chapo, de 49 anos, no final da 46.ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), realizada em Durban.

Segundo o chefe de Estado, as autoridades fizeram o registo e a triagem dos cidadãos repatriados, para identificar as suas qualificações profissionais e encontrar soluções para a sua reinserção no mercado de trabalho.

“Temos um outro acordo de trabalho com Emirados Árabes Unidos e também Portugal. Estamos a trabalhar para seguirem também para estes países”, afirmou Daniel Chapo.

Além das oportunidades no estrangeiro, o Governo pretende encaminhar os cidadãos para projetos públicos e privados em Moçambique. Para isso, os repatriados estão a ser integrados numa base de dados gerida pelo Instituto Nacional de Emprego.

Entre as oportunidades disponíveis no país está o setor do gás natural na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. O projeto liderado pela TotalEnergies emprega atualmente cerca de 9.000 trabalhadores, dos quais cerca de 7.000 são moçambicanos.

A medida surge após uma onda de violência contra estrangeiros que se intensificou na África do Sul desde o final de maio. Os episódios de xenofobia têm incluído agressões, ameaças, saques, incêndios de habitações e expulsões forçadas de cidadãos de vários países africanos.

Até ao momento, morreram oficialmente 11 moçambicanos na sequência destes ataques.

Daniel Chapo sublinhou que, numa primeira fase, a prioridade do Governo foi garantir a segurança dos cidadãos e retirá-los das zonas afetadas pela violência.

“Quando começou este fenómeno de violência contra os nossos irmãos na África do Sul, o nosso foco foi salvar vidas”, afirmou o Presidente.

Ao todo, 2.071 moçambicanos já foram repatriados da África do Sul. Aos 1.472 cidadãos anteriormente anunciados pelas autoridades juntaram-se mais 599 na última semana.

A maioria dos regressados é oriunda das províncias de Gaza e Inhambane, no sul de Moçambique. Ainda assim, muitos moçambicanos que trabalham legalmente nas minas e no setor agrícola sul-africano continuam no país vizinho.

Moçambique tem cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul, sendo que milhares já regressaram devido à violência.

Apesar dos episódios registados, Daniel Chapo revelou ainda que alguns dos cidadãos que regressaram estão agora a tentar regularizar a sua situação documental para poderem voltar legalmente à África do Sul.

“O que nós observamos é que existe a tendência de alguns cidadãos tentarem agora regularizar a sua situação documental para regressarem legalmente à África do Sul”, explicou.

Durante a cimeira da SADC, o Presidente moçambicano voltou a defender o respeito pela dignidade dos migrantes e apelou a uma migração segura e ordenada na região, condenando todas as formas de violência contra estrangeiros.