O rio Tejo deverá contar com duas novas ligações entre as duas margens, no prazo de 10 anos. A garantia foi deixada esta quinta-feira, dia 6, pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, durante as comemorações dos 60 anos da Ponte 25 de Abril.

O governante adiantou que o Executivo pretende avançar não só com a terceira travessia do Tejo, entre Chelas e o Barreiro, como também com um túnel rodoviário entre Algés e a Trafaria, permitindo reforçar a ligação entre Lisboa e a margem sul.

Sobre a futura ponte rodoferroviária, Miguel Pinto Luz explicou que a obra deverá demorar entre quatro a cinco anos a ser concluída, um prazo semelhante ao da construção da Ponte 25 de Abril: "Será uma ponte diferente, com outro tipo de infraestrutura e outro tipo de desenho e engenharia, mas sensivelmente será o mesmo tempo de construção."

O ministro revelou ainda que o Governo já está a trabalhar com a Infraestruturas de Portugal na preparação do projeto, incluindo os estudos e a respetiva avaliação de impacto ambiental: "A nova travessia tem de estar concluída antes do novo aeroporto ou concomitantemente com o novo aeroporto e, portanto, é algo que já está a acontecer.”

Miguel Pinto Luz recordou que as grandes travessias sobre o Tejo têm surgido, historicamente, com cerca de três décadas de intervalo: "Há 60 anos, tivemos a Ponte 25 de Abril, há 30 sensivelmente tivemos a Vasco da Gama e temos agora de, nos próximos anos, lançar a terceira travessia."

Contudo, destacou que o atual Governo pretende quebrar esse padrão, ao avançar em simultâneo com dois novos projetos: "Não avançamos só com a terceira travessia. Este Governo tomou a decisão de avançar também com o túnel Algés-Trafaria. Portanto, antecipámos, de alguma forma, os ciclos de 30 anos para passarmos a ter mais duas travessias, dentro de 10 anos, para se unir estas duas margens.”

O ministro assegurou que o calendário da nova ponte terá de ser cumprido, defendendo que um eventual atraso colocaria em causa compromissos estratégicos assumidos por Portugal: "Não pode [derrapar], porque teríamos vários problemas. Primeiro, não cumpríamos a nossa palavra com o Governo espanhol de garantir uma ligação ferroviária de alta velocidade em três horas, até 2034. Depois, não garantíamos que o novo aeroporto (...) será servido por ferrovia. Portanto, não podemos sequer correr esse risco."