Donald Trump, de 80 anos, protagonizou esta terça-feira, dia 22, um dos momentos de maior tensão na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. Perante dezenas de chefes de Estado e de Governo, o presidente dos Estados Unidos lançou um duro ataque ao regime de Havana e garantiu que o poder comunista na ilha acabará por cair. A reação foi imediata: a delegação de Cuba, liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez Parrilla, levantou-se e abandonou o plenário em sinal de protesto.
“A minha administração também procura uma mudança fundamental na situação em Cuba”, declarou Trump, sustentando que o regime enfrenta uma pressão sem precedentes. O presidente norte-americano classificou Cuba como um “Estado absolutamente falhado” e acrescentou: “Está a fracassar como nunca e vai cair.” Foi durante esta ofensiva verbal que os representantes cubanos decidiram sair da sala.
Trump revelou ainda que o secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, está envolvido em contactos com Havana. “Está muito envolvido nas negociações com Cuba. Vamos ver o que acontece.” Não acrescentou, porém, pormenores sobre o conteúdo ou o estado dessas conversações.
O chefe da Casa Branca acusou também o regime cubano de manter, ao longo de décadas, ligações a “radicais de esquerda e redes comunistas” nos Estados Unidos, enquadrando Cuba numa intervenção marcada pela defesa de uma política externa assente na força e na soberania norte-americana.
O discurso foi muito além de Cuba. Trump exaltou o poder económico, militar, energético e tecnológico dos Estados Unidos, declarou que “a América está de volta” e abordou vários dos principais focos de tensão internacional, incluindo o Irão, a Venezuela, a Rússia e a Ucrânia. A intervenção provocou, aliás, outro protesto diplomático: membros da delegação iraniana também abandonaram o plenário quando Trump começou a abordar as ações militares norte-americanas contra Teerão.

















