Os democratas reconquistaram a Câmara dos Representantes nas eleições intercalares de terça-feira, dia 3, nos Estados Unidos, e as projeções dão-lhes também a maioria no Senado, com vitórias em estados há décadas dominados pelos republicanos, como o Texas. O resultado acaba com o controlo republicano total do Congresso nos dois últimos anos de mandato de Donald Trump. Hakeem Jeffries deverá tornar-se o primeiro presidente negro da Câmara.

No Senado, onde os republicanos tinham 53 lugares contra 47, os democratas precisavam de um ganho líquido de quatro. A AP projeta-lhes seis conquistas: na Carolina do Norte, com Roy Cooper, no Ohio, com Sherrod Brown, no Texas, na Carolina do Sul, no Kansas e no Iowa, com Josh Turek. Na Geórgia e no New Hampshire, os democratas seguraram os lugares que já detinham.

A maior surpresa chegou da Carolina do Sul, onde a pediatra Annie Andrews derrotou a senadora Darline Graham, nomeada para o lugar do irmão, Lindsey Graham, que morreu em julho. Graham reconheceu a derrota e admitiu que os conservadores têm trabalho pela frente.

No Texas, James Talarico, de 37 anos, venceu Ken Paxton e torna-se o primeiro democrata eleito senador pelo estado em 38 anos, num território que Trump ganhou por quase 14 pontos em 2024. No Kansas, onde Trump venceu por 16 pontos, o pastor Adam Hamilton, estreante em eleições, afastou Roger Marshall, apesar de Trump e do vice-presidente JD Vance terem feito campanha contra ele. Será o primeiro senador democrata do estado em 94 anos.

A noite também correu bem aos democratas nas eleições para governador, com Amy Acton a vencer Vivek Ramaswamy no Ohio, Rob Sand no Iowa e Jocelyn Benson no Michigan. Hannah Pingree venceu no Maine e Keisha Lance Bottoms na Geórgia. Katie Hobbs foi reeleita no Arizona. Os republicanos seguraram a Florida, com Ashley Moody no Senado e Byron Donalds como governador.

As sondagens à boca das urnas apontam para um voto de castigo. Trump ficou perto dos 38% de aprovação, o que, segundo a CBS, o coloca a caminho de um mínimo histórico para um presidente em eleições intercalares. A economia foi o tema mais citado: três em cada quatro eleitores consideram que está em mau estado, e cerca de dois terços dizem que as políticas de Trump a pioraram.

O outro grande movimento veio de eleitorados que tinham ajudado Trump a regressar à Casa Branca. Segundo a NBC, cerca de 60% dos latinos votaram nos democratas para a Câmara, contra 51% em Kamala Harris há dois anos. Uma sondagem da AP indica que perto de sete em cada dez eleitores com menos de 30 anos também escolheram os democratas, um grupo que em 2024 se tinha dividido entre os dois partidos.

A guerra com o Irão pesou igualmente na campanha, com efeitos nos custos de vida. Numa sondagem Gallup de outubro, 47% dos eleitores registados consideravam-na extremamente importante para o seu voto, logo a seguir à economia e à saúde.

Entre as últimas corridas a fechar contam-se as do Michigan, Maine e Alasca. A dimensão das maiorias democratas ainda está por determinar. A contagem em alguns estados pode prolongar-se por dias, e o Alasca, se for preciso recorrer ao voto preferencial, só apura o vencedor cerca de duas semanas depois da eleição. Trump disse ao New York Times que está disposto a aceitar os resultados.

Créditos: @realdonaldtrump / Instagram