Donald Trump, de 80 anos, voltou a atacar a posição de Espanha na NATO e garantiu que pretende romper "todas as relações comerciais" com o país, classificando-o como um "parceiro terrível" da Aliança Atlântica e acusando o Governo espanhol de ser composto por "pessoas más".
As declarações foram feitas à margem da cimeira da NATO, que decorre em Ancara, na Turquia, durante uma intervenção ao lado do secretário-geral da organização, Mark Rutte (59).
Donald Trump criticou novamente Madrid por, na sua perspetiva, não cumprir os compromissos assumidos no seio da Aliança: "Não participam [na NATO], não pagam. Eu não quero ter nada a ver com a Espanha. Corta todas as relações com a Espanha, se faz favor, incluindo visitas, ok?”
O líder norte-americano mostrou-se convicto de que, caso essas medidas avancem, Espanha acabará por procurar restabelecer os laços comerciais com os Estados Unidos: "São um caso perdido, são más pessoas. Todos estão a pagar e a trabalhar, mas Espanha é abertamente hostil", declarou, acrescentando que o país "ganha tanto dinheiro" com os EUA que "vai passar a ganhar muito menos".
Esta não é a primeira vez que Trump ameaça Madrid. Na cimeira da NATO realizada em Haia, em 2025, o presidente norte-americano já tinha deixado avisos semelhantes depois de o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez (54), recusar o objetivo de investir 5% do PIB na Defesa.
GRONELÂNDIA VOLTA AO CENTRO DO DISCURSO
Durante a mesma intervenção, Trump voltou a defender que a Gronelândia deveria estar sob controlo norte-americano, considerando tratar-se de uma questão estratégica. Segundo o presidente, os Estados Unidos nunca deveriam ter devolvido o território à Dinamarca.
"E nós ficámos com a Gronelândia e depois, estupidamente, devolvemo-la, porque nós é que precisamos da Gronelândia. Nós precisamos da Gronelândia para proteger o mundo, não apenas os Estados Unidos", afirmou, acrescentando que também não teria devolvido o Canal do Panamá.
O chefe de Estado norte-americano aproveitou ainda para manifestar desagrado com vários aliados da NATO, apontando França, Alemanha, Itália e Reino Unido por não terem disponibilizado bases militares norte-americanas durante o conflito com o Irão: "Ninguém quis ajudar, a não ser alguns países mais pequenos, porque são mais vulneráveis. Foi a única razão pela qual quiseram ajudar."
Apesar das críticas, Trump garantiu que pretende expor estas divergências diretamente aos restantes líderes aliados, sublinhando que mantém uma boa relação pessoal com a maioria deles: "Acho que não trataram bem os Estados Unidos durante muitos anos, mas pronto, são pessoas sãs, racionais e boas pessoas, pelo menos a maior parte", concluiu.

















