Quase um terço dos membros do Governo liderado por Luís Montenegro declarou possuir ligações a empresas na Declaração Única de Rendimentos, Património, Interesses, Incompatibilidades e Impedimentos entregue à Entidade para a Transparência (EpT).

Segundo dados divulgados pelo Expresso, com base numa listagem fornecida pela EpT, 18 dos 60 governantes que integram o Executivo indicaram ter interesses empresariais, diretos ou indiretos. Entre eles encontra-se o próprio primeiro-ministro.

No conjunto dos ministros, excluindo Luís Montenegro, sete dos 16 titulares de pasta declararam participações em empresas, o que representa cerca de 44% do total. Fazem parte dessa lista a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e o ministro da Administração Interna, Luís Neves.

Já entre os 43 secretários de Estado, dez referiram possuir participações em sociedades, correspondendo a cerca de 23%. Estão incluídos Rui Armindo Freitas, Adriano Rafael Moreira, Jean Barroca, João Moura Rodrigues, Paulo Magro da Luz, João Silva Lopes, Rui Rocha, Helena Canhão, Alberto Santos e Inês Domingos.

O Expresso refere ainda que estes dados dizem respeito às declarações existentes na Entidade para a Transparência durante o mês de julho e poderão sofrer alterações, uma vez que os titulares de cargos públicos podem atualizar a informação. O jornal acrescenta que alguns governantes alienaram ou suspenderam as respetivas participações depois de assumirem funções, incluindo o primeiro-ministro.

Entre os casos destacados está o de Rita Alarcão Júdice, que declarou ligações a 12 empresas, entre as quais a Quinta das Lágrimas. Oito dessas participações pertencem ao marido, o advogado Duarte Brito de Goes.

Também Luís Montenegro, Nuno Melo e Luís Neves surgem associados a empresas detidas pelas respetivas mulheres. No caso do primeiro-ministro, a ligação à empresa familiar Spinumviva esteve no centro da polémica no ano passado, devido à quota que detinha de forma indireta através da esposa. Essa participação deixou, entretanto, de existir depois de as quotas terem sido transferidas para os filhos.

Outros membros do Governo optaram igualmente por alterar a sua posição societária para afastar potenciais conflitos de interesses. Manuel Castro Almeida vendeu, em janeiro de 2025, a participação que possuía numa empresa do setor imobiliário, decisão que justificou com a controvérsia em torno da revisão da Lei dos Solos.

Já Maria do Rosário Palma Ramalho suspendeu a quota que detinha numa empresa de consultoria e atualizou posteriormente a respetiva declaração de interesses.