A moção de estratégia global apresentada por Luís Montenegro ao próximo congresso do Partido Social Democrata assume-se como um manifesto político de afirmação reformista e de consolidação do PSD como principal força governativa do país. Sob o lema “Trabalhar. Fazer Portugal Maior”, o documento procura projetar uma imagem de estabilidade, ambição económica e reforço da presença internacional de Portugal.

Ao longo de quase três dezenas de páginas, Montenegro defende que o País entrou num novo ciclo político, marcado pela necessidade de “coragem reformista” e pela recusa quer do “populismo”, numa referência ao Chega, quer do “imobilismo socialista”. O líder social-democrata reafirma igualmente a estratégia do “não é não” a entendimentos governativos com o Chega, mas admite diálogo parlamentar com todas as forças políticas representadas na Assembleia da República.

A moção estrutura-se em cinco grandes eixos: potenciar Portugal através da educação e qualificação; reformar o Estado e simplificar a administração pública; reforçar a competitividade económica e as infraestruturas; apostar na autonomia energética; e ampliar a influência do País na Europa, no Atlântico e no espaço lusófono.

Entre as prioridades destacadas surgem a redução da carga fiscal, a continuação do IRS Jovem, a aposta na inteligência artificial e digitalização, a reforma da contratação pública, o novo aeroporto de Lisboa, a alta velocidade ferroviária e a valorização da CPLP e da posição atlântica portuguesa.

No plano político, o documento procura também consolidar a imagem de Montenegro como líder moderado e reformista, apresentando o PSD como o partido da estabilidade governativa num momento em que os portugueses, segundo a moção, estão “cansados de eleições intercalares”.