Durante da cerimónia de entrega da Medalha da Cidade do Porto, onde foi distinguido esta quarta-feira, dia 22, André Villas-Boas, de 48 anos, deixou uma palavra sobre a situação vivida pelo Boavista, considerando que o possível desaparecimento da atividade do histórico clube da Invicta deve preocupar todos.

O presidente do FC Porto confessou que a crise vivida pelo Boavista ultrapassa o plano desportivo e tem impacto no património coletivo da cidade: "A perda da atividade de uma instituição centenária da cidade não é uma vitória de ninguém. É uma ferida no património desportivo e social da cidade do Porto."

No mesmo discurso, Villas-Boas deixou críticas à forma como, na sua perspetiva, alguns responsáveis encaram os clubes históricos: "É também um alerta sobre os aventureiros, os interesses autárquicos e os malfeitores que continuam a tratar instituições centenárias como ativos descartáveis, esquecendo que os clubes pertencem à História, às comunidades e às pessoas."

O dirigente portista sustentou ainda que a defesa dos clubes históricos deve ser entendida como uma responsabilidade coletiva, sublinhando o seu papel na coesão social e na formação das gerações mais jovens: "Defender os clubes é defender a memória e o acesso das crianças ao desporto."

Estas declarações do líder dos dragões surgem numa altura em que o Boavista enfrenta uma das fases mais delicadas da sua história. O clube do Bessa vive uma profunda crise financeira e institucional, acumulando dívidas superiores a 100 milhões de euros, cenário que coloca em causa a continuidade da sua atividade.