Beatriz Godinho, de 34 anos, tornou-se uma das vozes mais ativas dos protestos pela habitação, em Lisboa. A talentosa e bonita atriz revelou à NIT que, apesar de uma carreira estável na televisão, vive num apartamento partilhado com outras sete pessoas e paga cerca de 700 euros por um quarto.
"Eu própria, neste preciso momento, estou a sofrer as consequências dessa crise da habitação, que é muito real", afirmou.
Beatriz denunciou ainda as condições em que vive: das duas casas de banho disponíveis, uma está avariada há meses, obrigando oito pessoas a partilhar a outra. "Em 2015, pagávamos 700 euros por um T3+1, na zona do Intendente. Neste momento, pago mais ou menos o mesmo valor por um quarto", lamentou.
Mas foi ao recordar um drama pessoal que Beatriz Godinho fez uma das revelações mais marcantes: "Depois de 15 anos de trabalho e de fazer os meus descontos, com 30 e poucos anos, cometi a audácia de achar que poderia ser um bom momento para constituir família. Perdi duas gravidezes consecutivas, sendo que a segunda prejudicou imenso a minha saúde."
A situação impediu-a de trabalhar durante meses e agravou as dificuldades financeiras. A atriz rejeita, por isso, as críticas dirigidas aos jovens que protestam e defende que o adiamento da maternidade resulta, muitas vezes, da falta de estabilidade.
E, na mesma entrevista, Beatriz deixou um desabafo contundente: "Parece, cada vez mais impossível, ter a oportunidade de construir algo que resulte do nosso trabalho e do nosso sacrifício. Sacrifício com retorno zero resulta em ressentimento."

















