Um estudo da Cetelem indica que 93% dos portugueses consideram que os carros novos são demasiado caros e 53% da população opta pela compra de veículos em segunda mão, uma tendência acima da média europeia.

As conclusões fazem parte do estudo 'Sector Automóvel: Cinco vias para a retoma', da Cetelem (BNP Paribas Personal Finance em Portugal), que analisa os hábitos e percepções dos consumidores no mercado automóvel. O documento indica que o preço é o principal fator na decisão de compra, seguido das políticas públicas, da ligação às marcas, do design e da oferta e distribuição.

Em termos europeus, foram adquiridos cerca de 17 milhões de carros novos entre 2015 e 2019, número que caiu para 11,75 milhões entre 2020 e 2024, influenciado pelas crises da Covid-19 e da guerra na Ucrânia. Esta quebra resultou em menos 26 milhões de veículos novos em circulação e no aumento da idade média do parque automóvel.

Em Portugal, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal citados no estudo, foram produzidos cerca de 260 mil veículos em 2024, mais 8,3% do que no ano anterior. No mesmo período, foram vendidas 240 mil unidades novas, um crescimento de 4,4%. Nos primeiros seis meses de 2025, as vendas atingiram 143 mil veículos, mais 4,2% em termos homólogos.

Apesar da quebra registada na Europa, 94% dos portugueses mantêm uma imagem positiva dos carros novos, ligeiramente acima da média europeia de 92%.

Já no mercado de usados, 53% dos inquiridos admitem optar por esta solução, contra uma média europeia de 51%. A preferência é reforçada pelo facto de 85% dos portugueses terem uma opinião positiva sobre veículos em segunda mão.

O estudo indica ainda que 80% dos consumidores defendem medidas para reduzir o preço dos carros novos. Entre as propostas, 62% sugerem modelos mais simples e 78% defendem uma redução das margens de lucro dos fabricantes.

Quanto aos canais de compra, 74% dos portugueses preferem concessionários, enquanto 44% admitem comprar online, apesar de reservas relacionadas com a impossibilidade de testar o veículo e a falta de aconselhamento presencial.

Na mobilidade eléctrica, 92% reconhecem a importância de reduzir o impacto ambiental do sector automóvel e 64% consideram que já houve progressos. No entanto, apenas 18% dizem ter uma percepção clara das políticas públicas de incentivo, abaixo da média europeia de 32%.