Paulo Rangel, de 58 anos, afirmou esta segunda-feira, dia 29, que quantidade de portugueses que perderam tudo após os sismos na Venezuela é “muito grande”. Segundo o governante, há “muitos, muitos, muitos portugueses” entre os desalojados, sobretudo na região de La Guaira, onde as equipas de salvamento identificaram famílias inteiras sem qualquer bem.
O ministro dos Negócios Estrangeiros explicou durante uma entrevista dada à SIC Notícias que o número de desaparecidos confirmados tem vindo a aumentar. No início, muitos cidadãos estavam apenas incontactáveis, mas foram entretanto localizados. Agora, o grupo de pessoas sobre as quais não existe qualquer informação está a crescer, ainda que de forma gradual. Entre os desalojados, a presença de portugueses é particularmente elevada.
As missões de salvamento e a embaixada em Caracas já constataram que inúmeras famílias portuguesas perderam tudo. Algumas viviam em condições difíceis, mas outras pertenciam à classe média ou média‑alta. “A quantidade de nacionais portugueses que perderam tudo é realmente muito grande”, reforçou o ministro.
O Governo disponibilizou 400 mil euros para projetos de ajuda humanitária e prepara a abertura de contas oficiais para donativos, de modo a evitar fraudes. Paulo Rangel pediu que não sejam feitos contributos até que essas contas sejam divulgadas, já que o envio de bens é, nesta fase, logisticamente impossível. Para as organizações portuguesas no terreno, já foram alocados 257 mil euros, montante que será reforçado.
O ministro recordou que a comunidade portuguesa na Venezuela é numerosa: cerca de 220 mil cidadãos nacionais e mais 300 a 350 mil lusodescendentes. Por isso, será necessário garantir apoio continuado, sobretudo quando a ajuda internacional começar a diminuir.
Os repatriamentos
Quanto aos repatriamentos, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que não existem pedidos significativos. Das 17 pessoas que chegam a Beja esta terça‑feira, 30, quatro são estrangeiras (duas francesas e duas italianas). Os cidadãos estavam retidos, tal como alguns tripulantes da TAP, que já regressaram num voo espanhol. Há também casos de pessoas isoladas que têm família em Portugal. Com a reposição dos voos comerciais, quem desejar regressar poderá fazê‑lo pelos seus próprios meios, não estando previsto organizar operações adicionais de repatriamento.
O número de portugueses e lusodescendentes mortos subiu para 60, incluindo 10 crianças. Há ainda 87 pessoas desaparecidas ou incontactáveis (51 homens e 36 mulheres). No total, os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 provocaram pelo menos 1.719 mortos e 5.034 feridos, segundo dados recentes. A ONU estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas.

















