A Administração Geral Tributária (AGT) de Angola identificou, com recurso a ferramentas de Inteligência Artificial (IA), cerca de 15 mil empresas que declararam faturação nula no Imposto Industrial de 2025, mas que, afinal, realizaram transações comerciais, indiciando possíveis situações de evasão fiscal.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da AGT, José Leiria, o sistema analisou as declarações de aproximadamente 40 mil empresas e cruzou automaticamente grandes volumes de informação, permitindo detetar inconsistências que dificilmente seriam identificadas através dos métodos tradicionais de fiscalização. A tecnologia utilizada recorre a algoritmos de machine learning, capazes de reconhecer padrões e sinalizar irregularidades.
Na sequência desta análise, a AGT notificou as empresas para procederem à correção das declarações, tendo parte dos contribuintes já regularizado a sua situação. O responsável deixou, contudo, um aviso claro: "A brincadeira em Angola está quase a acabar", sublinhando que a administração tributária irá intensificar o combate à fraude.
A utilização de Inteligência Artificial já começa a produzir resultados concretos. De acordo com José Leiria, a receita fiscal aumentou de 300 mil milhões para 430 mil milhões de kwanzas no período analisado. Paralelamente, a AGT reforçou a fiscalização nos mercados informais, onde identificou grandes contribuintes que desenvolviam atividade sem o devido enquadramento fiscal.
A aposta na digitalização e na análise inteligente de dados integra a estratégia da administração tributária para alargar a base de contribuintes, reduzir a informalidade e reforçar as receitas não petrolíferas, numa altura em que Angola procura diminuir a dependência do setor petrolífero e consolidar a sustentabilidade das contas públicas.

















