Portugal vai enfrentar uma onda de muito calor. Esta quarta-feira, dia 1, há avisos amarelos em todo o território, e quatro distritos em alerta laranja (Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja). Amanhã, quinta-feira, 2, Lisboa e Setúbal passam a alerta vermelho, enquanto Faro, Santarém e Leiria ficam em alerta laranja.

Já na sexta-feira, 3, também Leiria e Coimbra estarão em alerta vermelho devido às temperaturas elevadas. O restante território continental estará em alerta laranja.

O chefe de divisão de previsão meteorológica do IPMA, Jorge Ponte, descreveu a situação como "um fenómeno inédito em Portugal", destacando a persistência das temperaturas elevadas durante um período tão longo como o fator mais invulgar.

A causa é o posicionamento de um anticiclone sobre o território continental que bloqueia a influência marítima e promove um fluxo de ar muito quente e seco vindo do norte de África.

As previsões apontam para máximas entre os 43 e os 46 graus. O sul do país será o primeiro a sentir o calor extremo, com os vales do Alentejo, do Sado e o interior algarvio a aproximarem-se dos 44 graus a partir de quinta-feira, 2. Cidades como Lisboa e Braga poderão registar 40 graus durante pelo menos três dias consecutivos, com o pico do evento esperado entre 4 e 7 de julho.

As noites tropicais são outra grande preocupação. O IPMA prevê mínimas que não deverão descer dos 25 graus em várias zonas durante quase uma semana, o que agrava os riscos para a saúde, especialmente para idosos, crianças e doentes crónicos.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, classificou a situação como "muito, muito preocupante" e admitiu o potencial impacto na mortalidade: "Quando existem ondas de calor com esta magnitude, o nosso indicador obviamente que acusa a possibilidade de um impacto na mortalidade, tal como está a acontecer noutros países", declarou a governante.

O recorde absoluto de temperatura máxima em Portugal continental é de 47,3 graus, registado na Amareleja a 1 de agosto de 2003.