A cimeira do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai, ficou marcada por divergências entre os líderes sul-americanos em torno do acordo comercial com a União Europeia (UE). Embora todos defendam o fortalecimento do bloco, o tratado voltou a evidenciar diferenças sobre os benefícios e os desafios que representa para cada país.
Durante os debates, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, manifestou reservas em relação ao acordo, afirmando que persistem "assimetrias" que colocam os países do Mercosul em desvantagem face aos parceiros europeus. O chefe de Estado defendeu que o bloco deve continuar a negociar melhores condições para garantir uma concorrência mais equilibrada, tendo em conta as diferenças ao nível da indústria, da logística e do acesso aos mercados.
Já Lula da Silva reforçou a importância estratégica do Mercosul num contexto internacional marcado pelo aumento do protecionismo e das tensões comerciais. O presidente brasileiro defendeu uma maior integração económica entre a América do Sul e a UE, considerando que o acordo poderá impulsionar o comércio, o investimento e o crescimento de ambos os blocos.
Apesar das diferenças de posição demonstradas durante a cimeira, os líderes reiteraram o compromisso com o fortalecimento do Mercosul e com o avanço das negociações com a UE. O acordo, negociado ao longo de mais de duas décadas, continua a aguardar as etapas de ratificação necessárias para entrar plenamente em vigor e é acompanhado com particular interesse por Portugal, devido às suas ligações económicas e históricas com o Brasil e os restantes países do bloco sul-americano.

















