A proibição transmitida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, de 58 anos, aos seus colegas da Defesa Nacional e da Administração Interna, para que ninguém fizesse qualquer declaração pública sobre a catástrofe que se abateu sobre a Venezuela, estendeu-se também ao próprio Palácio das Necessidades, onde o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, foi igualmente proibido de fazer qualquer declaração antes de Paulo Rangel o fazer.

O 24Horas sabe que a ordem dada pelo chefe da diplomacia portuguesa caiu bastante mal no próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros(MNE), até porque cabe à Secretaria de Estado das Comunidades coordenar a resposta à situações do género, nomeadamente no que respeita às comunidades portuguesas no estrangeiro. "A tendência que o ministro Rangel tem mostrado para exercer gratuitamente a sua autoridade chega a roçar a irresponsabilidade e demonstra bem o perfil autoritário que alardeia sempre que pode", queixou-se ao nosso jornal um destacado quadro do MNE, que não se coíbe de apelidar o comportamento de Paulo Rangel como "fátuo, provinciano, e próprio de um caudilho frustrado".

Recorde-se que José Cesário, o antigo secretário de Estado das Comunidades, e um homem muito próximo do próprio Luís Montenegro, viu-se afastado do cargo por exigência do próprio Rangel no final do primeiro governo da Aliança Democrática, ao que se diz por possuir "vida própria" e resistir a sede de protagonismo que o ministro mostrou desde o primeiro dia em que entrou nas Necessidades.

Aliás, o 24Horas sabe que a ordem dada pelo 'número dois' do executivo, além de irritar os seus colegas da Defesa e da Administração Interna, Nuno Melo e Luís Neves, respetivamente, os responsáveis na prática pela resposta operacional portuguesa, nomeadamente a nível da ajuda e resgate, causou um profundo mal-estar no seio da GNR, que mais uma vez se sentiu "maltratada" por Rangel.

"Ele tem qualquer coisa contra as fardas, há ali qualquer coisa mal-explicada, se calhar só Freud poderia ajudar a traduzir", ironizou ao 24Horas um oficial de alta patente do Exército português, recordando, aliás, a autêntica 'peixeirada' protagonizada por Rangel em outubro de 2024, quando, no aeródromo militar de Figo Maduro, aquando do repatriamento de portugueses no Líbano, o ministro chegou a gritar com o general Cartaxo Alves, então chefe do Estado-Maior da Força Aérea, e que hoje é o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.