Os cinco maiores bancos a operar em Portugal voltaram a apresentar resultados robustos no primeiro semestre de 2026, somando lucros de 2.519 milhões de euros, o equivalente a cerca de 562 mil euros por hora. Embora o resultado conjunto represente uma ligeira quebra de 3,5% face ao período homólogo, confirma a capacidade do setor para manter níveis históricos de rentabilidade, mesmo num contexto de descida das taxas de juro.
A Caixa Geral de Depósitos voltou a liderar o ranking, com um lucro recorde de 913 milhões de euros, seguida do BCP, que alcançou um máximo histórico de 565,8 milhões. O Santander Totta registou 434 milhões de euros, penalizado por custos extraordinários associados à reestruturação da rede comercial, enquanto o Novo Banco viu o resultado cair 15,6%, para 367,2 milhões de euros, devido aos encargos relacionados com a venda ao grupo francês BPCE. O BPI fechou o semestre com 239 milhões de euros, afetado pelo desempenho da operação em Moçambique.
Se a margem financeira começou a sentir o impacto da redução das taxas de juro, as comissões continuam a assumir um papel decisivo nas contas da banca. Entre janeiro e junho, os cinco bancos arrecadaram 1.346 milhões de euros em comissões, mais 6,8% do que no mesmo período de 2025, o equivalente a cerca de 7,4 milhões de euros por dia. Em alguns casos, as receitas provenientes destas cobranças já compensam parte da perda de rendimento com juros.
Os resultados refletem também a redução das imparidades e do crédito malparado, beneficiando de uma economia ainda resiliente e de um mercado de trabalho sólido. Ainda assim, associações de defesa dos consumidores continuam a criticar a crescente dependência das comissões bancárias, defendendo maior intervenção regulatória para limitar encargos considerados excessivos.
Apesar da ligeira desaceleração dos lucros, a banca portuguesa mantém-se entre os setores mais rentáveis da economia nacional, demonstrando uma elevada capacidade de adaptação ao novo ciclo de política monetária.

















