O Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastou 468 milhões de euros em trabalho suplementar durante 2025, um aumento de 11,4% face ao ano anterior. No total, foram realizadas 19,8 milhões de horas extra, segundo o mais recente relatório do Conselho das Finanças Públicas.

Os números revelam que a pressão sobre os profissionais de saúde continua elevada, com médicos e enfermeiros a assumirem grande parte do esforço para garantir o funcionamento dos serviços. Os médicos concentraram 7,1 milhões de horas extraordinárias, o equivalente a 36% do total, enquanto os enfermeiros realizaram 6,2 milhões de horas, representando 31,5% do trabalho suplementar.

As Unidades Locais de Saúde de Coimbra, Santa Maria e São José foram as que mais recorreram a horas extra, acumulando cerca de 92 milhões de euros em despesas, quase 20% do valor total gasto pelo SNS.

O relatório alerta ainda que o recurso constante a trabalho suplementar demonstra as dificuldades que o sistema continua a enfrentar para responder às necessidades dos utentes apenas com os profissionais disponíveis.

Além das horas extraordinárias, o SNS gastou ainda 265 milhões de euros na contratação de médicos prestadores de serviços, os chamados "tarefeiros", um aumento de 37 milhões face a 2024.

Outro dado preocupante prende-se com as listas de espera para cirurgia. Em 2025, o número de doentes à espera de operação atingiu os 274 mil, o valor mais elevado dos últimos anos, mostrando que, apesar do aumento da atividade cirúrgica, a procura continua a ultrapassar a capacidade de resposta do sistema de saúde.