A Nvidia juntou-se a seis dos maiores grupos financeiros do mundo para mobilizar mais de 500 mil milhões de dólares, cerca de 433,4 mil milhões de euros, destinados à expansão da infraestrutura de Inteligência Artificial.

A tecnológica norte-americana anunciou acordos com a Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR para criar plataformas independentes de financiamento de computação. A iniciativa pretende facilitar o acesso a capital para projetos ligados à expansão da inteligência artificial em diferentes setores e mercados.

O montante será mobilizado ao longo do tempo através de fundos de grande escala destinados aos clientes da Nvidia. Entre os projetos que poderão beneficiar deste financiamento estão laboratórios de IA, empresas tecnológicas e serviços de computação na cloud, numa altura em que a capacidade disponível se tornou um dos principais fatores para o desenvolvimento de novos sistemas.

A Nvidia, liderada por Jensen Huang, de 63 anos, considera que a procura por computação está a aumentar rapidamente, impulsionada pela adoção da inteligência artificial por governos, empresas e startups.

“Começámos por construir chips; hoje, estamos a ajudar a criar uma nova classe de infraestruturas produtivas e rentáveis: as fábricas de IA”, afirmou o CEO.

A estratégia representa uma mudança no posicionamento da Nvidia. A empresa deixou de ser vista apenas como fabricante de processadores para sistemas informáticos e passou a ocupar uma posição central na infraestrutura necessária para desenvolver modelos de inteligência artificial.

Huang defende que o poder computacional da empresa tem características que o tornam particularmente adequado para este novo modelo de investimento. Além da utilização em diferentes modelos e cargas de trabalho, a Nvidia destaca a possibilidade de prolongar a vida útil dos equipamentos através da evolução do software CUDA, a sua plataforma de computação.

A dimensão financeira da operação reflete também o interesse crescente de grandes investidores pela infraestrutura tecnológica. Jim Zelter, de 57 anos, presidente da Apollo, considera que a computação se tornou um ativo “escasso e essencial”, com potencial para gerar crescimento económico e ganhos de produtividade a longo prazo.

Na BlackRock, Larry Fink, de 73 anos, defende que a expansão da inteligência artificial vai exigir investimentos sem precedentes e uma força de trabalho preparada para transformar esse capital em novas infraestruturas.

Jon Gray, de 56 anos, presidente da Blackstone, destacou a procura pela tecnologia da Nvidia e reforçou a confiança da empresa no crescimento do setor.

Na Brookfield, o CEO Bruce Flatt, de 60 anos, considera que a computação está a tornar-se uma componente essencial da infraestrutura digital e vê a parceria como uma oportunidade para acelerar a construção da capacidade necessária à expansão da IA.

Também David Solomon, de 64 anos, presidente e CEO da Goldman Sachs, classificou o atual momento como uma fase crucial de um ciclo histórico de investimento em inteligência artificial. O grupo financeiro pretende explorar novas oportunidades de crédito associadas à capacidade computacional.

A KKR vai, por sua vez, combinar capital de longo prazo e experiência no setor das infraestruturas com a tecnologia da Nvidia. Os seus co-CEOs, Joe Bae e Scott Nuttall, consideram que a parceria poderá ajudar a transformar a crescente procura por computação em capacidade efetivamente disponível.

O acordo surge numa altura em que a expansão da inteligência artificial está a obrigar a aumentar o investimento não só em chips, mas também em centros de dados, energia, redes e sistemas de computação. A Nvidia pretende, com este novo modelo de financiamento, acelerar a construção da infraestrutura que deverá sustentar a próxima fase de desenvolvimento da IA.