Betty Grafstein, de 97 anos, prestou depoimento esta terça-feira, dia 29, no julgamento de José Castelo Branco (63), acusado de violência doméstica contra a mulher. A partir de uma clínica em Nova Iorque, onde se encontra internada, a antiga joalheira foi ouvida por videochamada pelo Tribunal de Cascais: "Ele agredia-me tantas vezes", declarou, referindo que era atingida sobretudo com murros.

Questionada sobre a frequência e os locais do corpo onde era agredida, Betty não conseguiu precisar. "Nunca sabia onde é que ele me ia atingir", disse, acrescentando que acontecia "em todo o lado, com tanta frequência, tantas vezes". A socialite garantiu ainda que existem registos médicos das lesões em hospitais estrangeiros e norte-americanos e que as alegadas agressões aconteciam "normalmente no dia a dia": "Não estou a inventar nada."

Durante o depoimento, Betty afirmou também que José Castelo Branco a obrigava a usar determinados sapatos, mesmo quando estes lhe provocavam dores. "Sapatos que me magoavam os pés", precisou. Segundo a antiga joalheira, quando se queixava, o marido "não ficava muito contente": "Ele forçava-me e era violento. Era aí que ele me empurrava, muito chateado, deixava de ser simpático."

Apesar das acusações, Betty revelou dificuldades em recordar vários episódios e datas, chegando a dizer que não se lembrava "do que fez na semana passada".

José Castelo Branco acompanhou a audiência também através de videochamada, a partir de Nova Iorque. Antes do início do depoimento, a juíza determinou que o socialite mantivesse a câmara e o microfone desligados para que Betty não o visse enquanto falava. Já Roger, filho da antiga joalheira, pediu para permanecer junto da mãe por esta estar acamada, não ver e não conseguir segurar o telemóvel, mas a magistrada não autorizou a sua presença no mesmo espaço durante o depoimento.