A Caixa Geral de Depósitos deverá vender a totalidade da participação no Banco Caixa Geral – Brasil à MD Capital. A operação poderá encerrar um processo que se prolonga há quase uma década.

De acordo com o Público, a empresa brasileira apresentou a proposta considerada mais vantajosa entre as duas ofertas vinculativas recebidas pela CGD e pelo Ministério das Finanças. O valor da transação ainda não foi divulgado.

A MD Capital foi criada recentemente e integra responsáveis com experiência no setor financeiro brasileiro, nomeadamente antigos quadros ligados ao Bradesco. A aquisição permitir-lhe-á entrar no mercado bancário do país, uma vez que não dispõe atualmente de licença própria.

Além da MD Capital, tinham sido convidadas a apresentar propostas a Garantia Capital, a Nu Financeira e a Sputnik. Apenas duas entidades chegaram à fase final, depois de a CGD ter contactado inicialmente 27 potenciais investidores.

Por se tratar de um ativo de um banco público, a venda é tratada como uma privatização e depende de autorização governamental. O processo tem sido conduzido em articulação entre a administração liderada por Paulo Macedo e o Ministério das Finanças.

A assinatura do contrato poderá ocorrer durante o terceiro trimestre de 2026, embora a conclusão do negócio só esteja prevista para 2027, após a obtenção das autorizações das entidades reguladoras.

O Banco Caixa Geral – Brasil registou prejuízos de cinco milhões de reais em 2025, o equivalente a cerca de 830 mil euros. A CGD já reconheceu nas suas contas imparidades próximas do valor total da exposição à instituição.

A alienação da operação brasileira foi uma das condições impostas pela Comissão Europeia no âmbito da recapitalização da Caixa, realizada em 2017. As participações na África do Sul e em Espanha foram vendidas pouco depois, mas o processo brasileiro enfrentou sucessivos atrasos.

Uma primeira tentativa, iniciada em 2017, acabou abandonada em 2020. Um novo procedimento arrancou em 2021, mas foi cancelado dois anos depois por as ofertas recebidas serem consideradas pouco atrativas. A liquidação do banco chegou a ser ponderada, embora a administração tenha mantido a venda como solução preferencial.

Com a saída do Brasil, a banca portuguesa deixará de ter presença naquele mercado. A CGD continuará, contudo, com operações internacionais em Macau, Cabo Verde, Angola e Moçambique.