A candidatura de Sebastião Bugalho à vice-presidência do Partido Popular Europeu (PPE) terminou numa derrota política que muitos analistas vinham antecipando desde há algumas semanas, dado o desconforto provocado pela iniciativa junto das lideranças europeias, nomeadamente de Manfred Weber, o presidente do grupo do PPE em Bruxelas.
O eurodeputado português não conseguiu ser eleito, deixando Portugal, pela primeira vez em 22 anos, sem representação nas vice-presidências da maior bancada do Parlamento Europeu, sendo que, tal como o 24 Horas revelou em anteriores notícias, a decisão de Bugalho de avançar, com o apoio expresso de Luís Montenegro, contrariou a vontade de Manfred Weber, presidente do grupo, que pretendia reconduzir os dez vice-presidentes, incluindo a portuguesa Lídia Pereira.
A substituição de Lídia Pereira por Bugalho, sustentada num alegado entendimento interno de 2024, abriu uma disputa particularmente delicada, agravada pelas regras de representação feminina e pela resistência da direção europeia.
O resultado confirmou assim os riscos políticos que muitos vaticianava, e a tentativa da direção do PSD em impor um candidato contra a preferência de Weber acabou por afastar Portugal de um cargo que mantinha há mais de duas décadas. Esta derrota dificilmente deixa de ter consequências políticas para Bugalho, mas também para Luís Montenegro, e para Paulo Rangel, que insistiram e movimentaram pelo sucesso da candidatura do vice-presidente e porta-voz do partido.
No fim de contas, Weber venceu o braço-de-ferro, Bugalho ficou sem o cargo e Portugal perdeu influência na estrutura dirigente do PPE.

















