As autoridades da Florida emitiram um mandado de detenção contra Raúl Castro, de 95 anos, antigo presidente de Cuba, por suspeitas relacionadas com a destruição de dois aviões civis em 1996. O ataque, ocorrido em águas internacionais, causou a morte de quatro pessoas, entre as quais três cidadãos norte-americanos.
O procurador-geral da Florida, James Uthmeier (38), anunciou a decisão esta segunda-feira, dia 19, afirmando que o antigo dirigente cubano é acusado de conspiração para cometer homicídio em primeiro grau. Castro já tinha sido formalmente acusado em maio, no âmbito do mesmo processo.
Segundo Uthmeier, o caso diz respeito ao abate de duas aeronaves pertencentes à Hermanos al Rescate, organização sediada em Miami que procurava e prestava auxílio a cubanos que tentavam abandonar a ilha por mar: “O nosso gabinete conseguiu um mandado de detenção ao nível estadual contra o ditador comunista Raúl Castro, acusando-o de conspiração para cometer homicídio em primeiro grau.”
O responsável acrescentou que a Florida continuará a procurar responsabilizar os envolvidos nas mortes de Carlos Costa, Pablo Morales, Mario de la Peña e Armando Alejandre Jr., as quatro vítimas do ataque.
Acusação aponta para decisão tomada ao mais alto nível
A investigação foi reaberta por ordem de Uthmeier no ano passado, com o objetivo de apurar o alegado papel de Castro, que na altura era ministro das Forças Armadas Revolucionárias e primeiro vice-presidente de Cuba.
De acordo com a documentação apresentada pela Procuradoria da Florida para obter o mandado, o antigo dirigente teria integrado o nível mais elevado da cadeia de comando responsável por autorizar o abate dos aviões.
Num comunicado, a Procuradoria atribuiu a Castro instruções permanentes dirigidas a altos responsáveis militares para que as aeronaves fossem abatidas no mar quando fossem avistadas, sem necessidade de consultar outras autoridades.
Os procuradores alegam ainda que agentes de informações cubanos recolhiam dados em comunidades da Florida e os transmitiam a Havana. Essa informação terá ajudado os caças MiG cubanos a localizar os aviões, que não estavam armados.
As duas aeronaves, do modelo Cessna, tinham descolado do aeroporto de Opa-Locka, no condado de Miami-Dade. Segundo as autoridades norte-americanas, encontravam-se muito para além das águas territoriais cubanas quando foram atingidas por mísseis ar-ar disparados por caças MiG. Os quatro ocupantes morreram.
O mandado foi agora emitido por um juiz estadual e representa um novo passo numa investigação retomada pela Florida em março, quase 30 anos depois do ataque.
A decisão judicial estabelece que Raúl Castro não tem direito a liberdade sob fiança. O antigo presidente abandonou os cargos políticos em 2021, embora continue a ser considerado uma figura influente em Cuba.
Em maio, a justiça federal norte-americana também apresentou acusações contra Castro relacionadas com o caso, incluindo homicídio e conspiração para matar cidadãos dos Estados Unidos.

















