Sebastião Bugalho, de 30 anos, garante que Pedro Passos Coelho (62) não condiciona a estratégia do Governo de Luís Montenegro e rejeita transformar as críticas do antigo primeiro-ministro numa disputa interna no PSD, a arder com esta guerra de duas fações no seio laranja. Em entrevista ao programa 'Hora da Verdade', da Renascença e do Público, o vice-presidente social-democrata traçou uma linha clara entre o atual Executivo e o ex-líder do partido.

“Passos Coelho não é alguém que seja central naquilo que estamos a fazer”, afirmou Bugalho, acrescentando que aquilo que o Governo faz “faríamos apesar dele” e o que fará no futuro “não faremos por causa dele”. O eurodeputado recusou entrar num “despique político” com quem foi primeiro-ministro e procurou relativizar as recentes críticas de Passos, que defendeu que o Governo deveria “ousar mais”. Para Bugalho, as divergências estão sobretudo no ritmo das reformas e na leitura do atual quadro parlamentar.

O dirigente do PSD afastou também qualquer aproximação governativa ao Chega: “Nós não queremos uma coligação parlamentar ou um Governo em coligação com o Chega.” E desvalorizou o estudo sobre reformas que Passos Coelho está a preparar com o socialista Sérgio Sousa Pinto, classificando-o como uma iniciativa da sociedade civil que irá ler “com todo o interesse”.

Bugalho deixou ainda outro recado político: considera “tão ou mais urgente” reformar a lei eleitoral do que rever a Constituição. O vice-presidente do PSD defende maior representação política do Interior do País e admite discutir modelos europeus destinados a reforçar a estabilidade governativa, apontando como exemplo o sistema grego de bónus eleitoral ao vencedor.