O ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, reconheceu esta quarta-feira, dia 16, que a evolução dos preços está a preocupar o Governo AD e admitiu dificuldades acrescidas para as famílias devido à subida dos combustíveis. “A inflação não está a correr bem, devia estar a descer e está a aumentar”, afirmou, durante uma audição na Comissão Parlamentar de Economia e Coesão Territorial.

Castro Almeida classificou os combustíveis como “um ponto delicado” e reconheceu que “os portugueses estão a passar dificuldades", ao contrário do oásis defendido por Luís Montenegro, "por causa deste aumento extraordinário do custo dos combustíveis”. O ministro garantiu, contudo, que o Executivo está a tentar impedir que o Estado beneficie fiscalmente da escalada dos preços provocada pela guerra.

Segundo explicou, quando a gasolina aumenta, o Estado arrecada mais IVA. O Governo está, por isso, a converter essa receita adicional em descontos no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), procurando neutralizar o ganho fiscal. “Aquilo que o Governo está a fazer é garantir que o Governo não ganha com os efeitos da guerra”, sustentou.

O Executivo PSD/CDS optou ainda por concentrar os apoios nos setores considerados mais afetados, em vez de avançar com medidas generalizadas para toda a população. Entre as respostas já anunciadas está um apoio especial ao gasóleo agrícola, destinado a aliviar os custos dos agricultores e a tentar evitar que estes acabem por repercutir-se nos preços dos alimentos.

Castro Almeida anunciou também que estão a ser preparadas medidas para os transportadores profissionais e para os bombeiros, que deverão ser aprovadas em breve. A estratégia do Governo passa, assim, por intervenções direcionadas para as atividades mais expostas à subida dos combustíveis, numa altura em que o próprio ministro reconhece que a trajetória da inflação está a evoluir em sentido contrário ao desejado.