A Câmara de Coimbra, liderada por Ana Abrunhosa, de 56 anos, está a ser alvo de críticas pela atribuição de um apoio de 15 mil euros à associação Maré Dialética, criada há cerca de três meses e dirigida por uma apoiante da coligação liderada pelo PS que governa o município. A decisão foi aprovada com os votos contra dos vereadores da coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/CDS‑PP/IL/Nós, Cidadãos!/MPT/PPM/Volt).

O projeto financiado prevê atividades durante 12 meses dirigidas a famílias, comunidades vulneráveis, migrantes e idosos. No entanto, a oposição considera que a proposta carece de fundamentação. A vereadora Ana Cortez Vaz afirmou que, apesar de reconhecer o mérito dos objetivos, o documento apresentado é “insuficientemente detalhado”, sem plano operacional, metas quantificadas, indicadores de avaliação ou identificação dos beneficiários.

O PSD de Coimbra já tinha criticado publicamente o apoio, sublinhando que a responsável da associação, Élia Ramalho, integrou a comissão de honra da coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN) e que o espaço A Fábrica foi utilizado em vários momentos da campanha eleitoral da atual presidente. Para os sociais‑democratas, trata‑se de “dinheiro público atribuído através de um processo mal fundamentado a alguém com ligação direta à campanha”.

Também o vereador da Iniciativa Liberal, Celso Monteiro, considerou a proposta “extremamente genérica” e pediu mais informação antes da votação, pedido que foi recusado.

O vice‑presidente da Câmara, Miguel Antunes, defendeu a pertinência do apoio, afirmando que o espaço A Fábrica, situado na Baixa, poderá ser usado de imediato para atividades de verão. Garantiu ainda que o município irá monitorizar o projeto e elaborar um relatório final. Sobre o facto de a associação ter apenas três meses, considerou que tal não deve ser “fator de exclusão”.

O projeto inclui oficinas de formação, jogos, yoga, teatro, residências artísticas e outras atividades de base comunitária, orientadas para a inclusão social e o fortalecimento dos laços locais através da arte e da cultura. Contudo, não define metas de participação nem identifica formadores ou artistas envolvidos.

No orçamento, 4 mil euros destinam‑se ao aluguer do espaço A Fábrica e outros 4 mil a mentoria, coordenação estratégica, criação do projeto e monitorização. O custo total ascende a 19.640 euros.