O Chega vai avançar com um terceiro requerimento para tentar impor uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026. A decisão foi anunciada esta quinta-feira, dia 17, por André Ventura, após uma reunião com o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

“Nós decidimos avançar novamente com um pedido de constituição de uma comissão de inquérito, que dará entrada hoje ou às primeiras horas de amanhã”, revelou Ventura. O Chega voltará a recorrer ao direito potestativo, mecanismo que permite a um quinto dos deputados impor a criação de uma comissão de inquérito sem necessidade de aprovação em plenário, desde que sejam cumpridos os requisitos legais.

A nova tentativa surge depois de Aguiar-Branco ter recusado admitir os dois requerimentos anteriores do partido. Na decisão mais recente, o presidente do Parlamento considerou que o Chega manteve “desconformidades essenciais”, nomeadamente na delimitação do objeto do inquérito.

Aguiar-Branco defende que têm de ser identificados períodos, atos e decisões concretos a investigar, não podendo o escrutínio abranger genericamente toda a atuação de Luís Neves durante oito anos.

Apesar de discordar da exigência de novas alterações, Ventura admitiu agora ajustar o texto. O líder do Chega garantiu que vai “acompanhar de perto” a elaboração do requerimento e mostrou-se disponível para “rever” e “melhorar” a proposta, incluindo “limitar um pouco mais o objeto” da investigação. Ainda assim, deixou um recado a Aguiar-Branco, pedindo-lhe que não se transforme num “bloqueio institucional” à realização do inquérito.