O pedido da administração de Donald Trump à OpenAI para limitar o lançamento do GPT-5.6 está a intensificar o debate sobre o papel dos governos na supervisão da inteligência artificial. A Casa Branca pretende que a nova versão do modelo seja disponibilizada, numa primeira fase, apenas a um grupo restrito de parceiros previamente aprovados pelas autoridades norte-americanas, invocando preocupações relacionadas com a segurança nacional.

Segundo informações divulgadas nos Estados Unidos, o Executivo considera que o GPT-5.6 possui capacidades avançadas comparáveis às de outros modelos recentemente retirados de circulação, como o Mythos e o Fable, da Anthropic, por alegados riscos de utilização indevida. A OpenAI confirmou ter aceitado um lançamento faseado, embora tenha sublinhado que essa solução não corresponde à sua estratégia preferencial.

O caso surge numa altura em que Washington procura reforçar o controlo sobre os sistemas de IA de última geração. Um decreto recente prevê que as empresas partilhem voluntariamente os seus modelos com o Governo até 30 dias antes da sua disponibilização pública, criando uma nova etapa de avaliação antes do lançamento comercial.

Entretanto, a OpenAI estará também a ponderar adiar a sua entrada em bolsa para 2027. O objetivo passa por preservar uma avaliação de cerca de um bilião de dólares, numa altura em que a volatilidade registada após a estreia bolsista da SpaceX reforçou a prudência dos investidores.

O debate sobre quem deve controlar a inteligência artificial não é exclusivo dos governos. O Papa Francisco foi dos primeiros líderes mundiais a exigir um tratado internacional vinculante para regular a tecnologia, alertando no G7 de 2024 que nenhuma máquina deveria ter o poder de decidir tirar a vida a um ser humano. O seu sucessor, Leão XIV, foi mais longe: na encíclica Magnifica Humanitas, publicada em maio de 2026, pediu aos governos que desacelerassem o desenvolvimento da IA e exigiu estruturas legais robustas e supervisão independente, alertando que alguns sistemas de armas autónomas avançaram já para além da capacidade humana de os governar. Enquanto Washington improvisa respostas caso a caso, o Vaticano já tem o diagnóstico feito.