Rui Rio, de 68 anos, criticou o atual modelo de capitalismo, considerando que a crescente concentração de riqueza e a insuficiente regulação dos mercados estão a agravar as desigualdades sociais. Numa publicação divulgada na rede social X, o ex-líder social-democrata associou essa realidade aos elevados lucros registados pelos principais bancos portugueses no primeiro semestre deste ano.

"O capitalismo tem vindo a acentuar a acumulação e a desprezar a concorrência, agravado pelo facto de não promover uma regulação responsável e independente. Ao fazê-lo, agrava as desigualdades sociais e promove focos de riqueza absurda. Não vai acabar bem", partilhou o antigo presidente do PSD, indo ao encontro do que o PCP defende.

As declarações surgem depois de terem sido conhecidos os resultados semestrais do setor bancário. Segundo dados divulgados pelas instituições financeiras, e noticiados pelo 24Horas ontem, BPI, BCP, Caixa Geral de Depósitos, Santander Totta e Novo Banco obtiveram lucros conjuntos de cerca de 2,4 mil milhões de euros, nos primeiros seis meses do ano. Desse montante, aproximadamente 1.346 milhões de euros tiveram origem em receitas de comissões cobradas aos clientes.

Embora Rui Rio não tenha identificado diretamente qualquer instituição financeira, a publicação foi interpretada como uma reação aos resultados apresentados pela banca portuguesa, que continuam a gerar debate sobre o peso das comissões bancárias e a distribuição da riqueza num contexto de persistentes dificuldades económicas para muitas famílias.

A posição do antigo líder do PSD reabre também a discussão sobre o papel da regulação dos mercados e da concorrência, defendendo que a concentração de riqueza em grandes grupos económicos pode comprometer a coesão social e aumentar as desigualdades. Até ao momento, os bancos visados não reagiram às declarações de Rui Rio.