Portugal deu início a uma nova fase na preservação do património cultural subaquático, com a recuperação de vestígios históricos que permanecem no fundo do mar desde o século XV. Pela primeira vez, a Marinha Portuguesa está a colaborar diretamente com arqueólogos em operações de exploração e identificação de naufrágios, recorrendo a tecnologia de ponta para localizar e estudar estes tesouros sem colocar mergulhadores em risco.

Ao largo da costa de Cascais, a cerca de três milhas da linha costeira e a 32 metros de profundidade, foi identificado um dos cerca de 7.000 naufrágios já sinalizados em águas portuguesas. A partir de um navio hidrográfico, equipas especializadas utilizam equipamentos avançados para mapear o fundo do mar e recolher informações sobre embarcações que testemunham séculos da história marítima nacional.

A iniciativa junta a Marinha, a Autoridade Marítima Nacional e arqueólogos do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, num esforço conjunto para proteger e estudar um património de valor histórico e científico incalculável. Entre os vestígios encontram-se objetos ligados à época dos Descobrimentos, cuja recuperação poderá revelar novos dados sobre a navegação, o comércio e a vida marítima portuguesa ao longo dos séculos.

O projeto representa um passo importante na valorização do património submerso de Portugal, durante muito tempo negligenciado. Com recurso às mais recentes tecnologias de prospeção, o Governo pretende aprofundar a investigação arqueológica no mar português, preservando estes testemunhos históricos e trazendo à superfície parte da memória coletiva do país.