Mário Centeno propôs a António Costa, depois das eleições legislativas de 2019, abandonar o Ministério das Finanças e permanecer no Governo com funções que lhe permitissem liderar uma reforma da Saúde. A revelação consta do livro 'Contas Certas', escrito pelo antigo ministro e por Filipe Santos Costa, que será apresentado esta sexta-feira.
Segundo o jornal Público, que cita excertos da obra, Centeno pretendia assumir “um papel transversal no Governo”, concentrado na articulação entre o financiamento da Saúde e a gestão dos recursos do sector, considerando que esta era uma das áreas mais necessitadas de mudanças estruturais.
António Costa, porém, não acolheu a proposta, e Centeno conta ter sabido que a ideia fora rejeitada apenas pouco antes de a nova composição do Governo ser enviada para o Palácio de Belém:“Era um tema que eu tinha posto em cima da mesa e que, obviamente, gostaria que tivesse sido discutido comigo, pelo menos para ir a jogo. Não foi”, afirma, deixando transparecer alguma mágoa pela forma como o processo foi conduzido. Aliás, Centeno indicara ainda João Leão como seu sucessor nas Finanças, o que acabaria por acontecer em 2020.
Esta revelação surge num momento em que se multiplicam, dentro do PS, os sinais de apoio a uma eventual candidatura de Centeno à liderança do partido. Embora o antigo governador do Banco de Portugal não tenha assumido qualquer intenção, a exposição pública das divergências com Costa e a apresentação de uma visão política para lá das finanças são interpretadas por vários socialistas como etapas de uma possível “caminhada”.
À medida que José Luís Carneiro enfrenta contestação interna, o nome de Centeno ganha espaço entre os que defendem uma alternativa capaz de disputar o centro político e recuperar eleitorado. O livro poderá, assim, funcionar como muito mais do que um exercício de memória.















