Numa extensa entrevista publicada hoje pelo semanário Expresso, Mário Centeno não anuncia uma candidatura à liderança do PS, mas também não fecha a porta a essa possibilidade. Na entrevista, por ocasião da publicação de um livro sobre a sua passagem pelo governo, o antigo ministro das Finanças diz que este não é o seu tempo político, mas sobre o futuro, evita compromissos definitivos: "Nunca é demasiado forte no meu léxico", afirma.
PS precisa de ser alternativa coerente
Questionado sobre a razão por que não se inscreveu no PS depois de deixar o Banco de Portugal, Centeno responde que não. Explica que a sua vida não passou por uma militância partidária e que, se algum dia entrar no partido, será "para fazer", não apenas para marcar presença, quanto à possibilidade de vir a liderá-lo, observa que essa decisão não é, neste momento, a mais relevante para si.
As declarações surgem numa entrevista em que Centeno faz um diagnóstico exigente da oposição socialista. Considera que o PS precisa de preparar uma alternativa coerente e completa, capaz de explicar aos eleitores o caminho que propõe, e diz ter aconselhado José Luís Carneiro nesse sentido e defende que o debate sobre propostas deve acontecer antes das eleições.
O antigo governante admite que o seu livro também procura ajudar o PS a compreender o passado recente. Na sua leitura, o partido perdeu as eleições de 2024 porque não conseguiu explicar o que tinha feito nem as políticas que pretendia prosseguir. Centeno lamenta ainda que a esquerda pareça hoje "uma marca negativa" e sustenta que a recuperação da confiança depende de propostas credíveis.
Sobre a experiência governativa, critica o aumento da despesa pública e alerta para a necessidade de controlar as contas. Também não exclui um entendimento entre PS e PSD, dizendo não ser "alérgico a nenhuma ideia de democracia". E, embora afirme que o futuro político exige paciência e preparação, deixa uma certeza: não pretende desaparecer do debate público.

















