Com manifestações nas maiores cidades de Espanha e graves confrontos entre os manifestantes e a polícias, as duas maiores centrais sindicais de Espanha, CCOO e UGT, acordaram convocar uma greve geral ainda este outono, exigindo salários que permitam aos trabalhadores suportar os custos de uma casa. A data será definida em articulação com organizações sociais e com o Sindicato de Inquilinas, num momento de forte contestação nas ruas.

O acordo ainda terá de ser ratificado pelos órgãos máximos das duas centrais, mas representa uma subida de tom na pressão sindical. A decisão surge depois de o Congresso ter rejeitado dois decretos do governo de Pedro Sánchez destinados a responder à crise da habitação. Para CCOO e UGT, as manifestações dos últimos dias provaram a dimensão do descontentamento e a resposta deve juntar sindicatos, trabalhadores, movimentos de moradores e organizações de inquilinos.

No centro da reivindicação está a relação entre salários e o preço da habitação. Os sindicatos defendem aumentos salariais entre 4% e 7%, mecanismos de revisão das remunerações e medidas que facilitem o acesso a casa. Reclamam ainda um pacto político e social, a criação de um parque público permanente de habitação protegida, limites aos preços das rendas e a aplicação efetiva da Lei pelo Direito à Habitação em todo o território espanhol.

A pressão popular no país vizinho mantém-se elevada. Em Barcelona, milhares de pessoas voltaram às ruas esta segunda-feira, dia 5, enquanto em Madrid continua a mobilização na Puerta del Sol. O Sindicato de Inquilinas já aponta novembro como horizonte para a greve geral. “Até que a habitação deixe de ser um privilégio”, CCOO e UGT prometem manter a mobilização.

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